Pesquisadores usam IA para encontrar falhas no Google Chrome e recebem R$ 1,4 milhão

Pesquisadores de cibersegurança usaram agentes de inteligência artificial (IA) para construir um ataque capaz de invadir computadores pelo Google Chrome em apenas seis dias. O sistema explorou três falhas desconhecidas para executar códigos invasores no Windows assim que a vítima abria uma página na web, sem necessidade de downloads ou cliques.

A ação foi realizada pela empresa XBOW com o modelo GPT-5.6 Sol, da OpenAI. O Google confirmou e corrigiu todas as vulnerabilidades, além de pagar a recompensa máxima de $250 mil (cerca de R$1,4 milhão na cotação atual). Esse movimento faz parte do Programa de Recompensas de Vulnerabilidades do Chrome (VRP, na sigla em inglês), que paga o teto do prêmio para falhas em cadeia e concede, no máximo, quatro premiações desse valor por ano sob as regras atualizadas em 2026.

A investida ultrapassou as duas camadas de proteção do navegador, conhecidas como “sandboxes”, que impedem que sites infectados alcancem o sistema operacional. Como resposta ao relatório da equipe de pesquisa, a empresa lançou atualizações de segurança e informou que os erros já foram corrigidos.

Para garantir a proteção do sistema, os usuários precisam reiniciar o navegador e confirmar se a versão instalada é a 152.0.7977.82 ou superior. A empresa reforçou que não há registro de que essas falhas tenham sido usadas contra os usuários antes dos ajustes.

Realização do ataque

A criação do ataque ocorreu durante os eventos de segurança Black Hat e DEF CON, em Las Vegas, nos Estados Unidos, após meses de preparação da empresa. De acordo com os registros de uso da XBOW, o gasto com processamento de IA durante a maratona foi de aproximadamente $40 mil (cerca de R$ 225 mil).

Participante do projeto, o pesquisador Brendan Dolan-Gavitt destacou a mudança no ritmo de trabalho do setor: “Antes dos modelos de linguagem, uma cadeia completa no Chrome levaria uma equipe de quatro pessoas cerca de seis a nove meses para ser produzida. Nossa primeira submissão levou dois meses. A premiada? Seis dias”, afirmou.

A criação do ataque contou com divisão de tarefas entre o sistema automatizado e os profissionais humanos. A inteligência artificial varreu o código-fonte (conjunto de instruções internas do navegador) do Chrome, testou hipóteses e escreveu as primeiras versões do código de exploração. Em contrapartida, os pesquisadores definiram os alvos, orientaram os agentes virtuais e decidiram quais partes seriam combinadas para quebrar a segurança do navegador.

Em declaração oficial, o fundador da XBOW, Oege de Moor, ressaltou o impacto do custo e do tempo de execução para o mercado de tecnologia: “Foi necessário apenas um valor estimado de 40 mil dólares em processamento e seis dias para um único pesquisador produzir uma cadeia que antes levaria meses.

Falhas identificadas

As três falhas afetavam áreas distintas do navegador:

  • A primeira foi identificada como CVE-2026-85045 e deu acesso à memória do V8, o motor de JavaScript do programa;
  • A segunda ocorreu no decodificador de imagens animadas WebP e usou esse acesso para quebrar a primeira barreira de segurança;
  • A última, registrada como CVE-2026-78952, estava no Crashpad, o sistema que lida com travamentos do Chrome, e transformou a invasão inicial em controle total sobre o computador.
Inteligência artificial cria falha no Chrome em seis dias e recebe R$ 1,4 milhão, tabela com os três bugs: Foto: Reprodução/The Hacker New

Com o feito, a XBOW tornou-se a primeira empresa de segurança autônoma a receber a recompensa máxima do programa de vulnerabilidades da Google sob as regras atualizadas em 2026.

Dolan-Gavitt deixou um alerta direto para quem trabalha na proteção de sistemas de informação. “Seis dias e 40 mil dólares não é muito tempo ou dinheiro quando a recompensa é uma cadeia completa do Chrome. A régua agora está muito mais baixa. Defendam-se de acordo”, declarou o pesquisador.

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