A Microsoft é mais conhecida pela atuação com o sistema operacional Windows e outras divisões da companhia, como a de games na figura do Xbox, em computação em nuvem pelo Azure e softwares de edição de conteúdo, do pacote Office ao atual Microsoft 365.
Porém, a empresa também já teve uma participação notável no segmento de smartphones. E, para além do caso mais famoso envolvendo a Nokia, a própria Microsoft também já tentou lançar celulares de fabricação própria, que ficaram bem menos conhecidos que os da família Lumia.
Você se lembra dos smartphones criados e vendidos pela Microsoft ao longo dos anos? A seguir, o TecMundo relembra cada um deles, das principais características até o destino desses projetos.
A trajetória da Microsoft no mobile
A Microsoft tem uma história ao mesmo tempo distante e presente do mercado de dispositivos móveis. Isso porque a companhia esteve no mercado com plataformas e parcerias de peso, mas se aventurou pouco na fabricação de modelos próprios.
Em 1996, ela lança o sistema Windows CE, ou Compact Edition, desenvolvido para computadores compactos. Ele depois evoluiu para o Pocket PC 2000, que se tornou uma das plataformas mais adotadas em assistentes pessoais digitais (PDAs), categoria de produtos que antecede os smartphones.
Marcas como Compaq lançaram aparelhos de sucesso que rodavam essa plataforma, tanto que ela evoluiu para celulares com o passar do tempo. Um dos primeiros smartphones a usar o agora rebatizado de Windows Mobile foi o HTC Orange SPV, de 2002. O Sony Ericsson Xperia X1, primeiro da linha de aparelhos que existe até hoje, também rodou um Windows Mobile.
O Windows Phone 7, versão que começa a chamar atenção no mercado, nasce em 2010. Logo depois, com algumas fabricantes lançando pontualmente aparelhos com o sistema, começa a parceria com a Nokia, que depois vira a compra da divisão mobile da marca finlandesa.
Apesar dos esforços da companhia, porém, o Windows Phone nunca chegou a decolar a ponto de brigar igualmente com Android e iOS. Ao todo, ela chegou a ter cerca de 4% da fatia global no mercado de celulares, chegando a mais do que o dobro desse valor em alguns países da Europa e no Brasil.
A última versão da plataforma foi a já pouco usada Windows 10 Mobile. Em 2019, sem tanto alarde, ocorre o fim oficial do Windows Phone como plataforma. Nesse período, a divisão mobile da Nokia já estava desmontada e a marca foi negociada com a dona atual dela, a HMD.
O que aconteceu com os celulares feitos pela Microsoft
Ao longo das últimas décadas, a Microsoft tentou lançar smartphones próprios em três oportunidades fora da aquisição da Nokia. Um deles nem sequer chegou a sair do papel, enquanto os demais são hoje considerados mais curiosidades do que eletrônicos lembrados pela qualidade.
Kin One e Kin Two
A primeira tentativa da Microsoft em celulares de design próprio foi com a dupla Kin One e Kin Two. Eles foram lançados em abril de 2010 e eram fabricados pela Sharp, com foco no público entre 15 e 30 anos de idade — uma faixa que estaria pouco atraída por celulares da época.
A ideia original era na verdade de uma startup chamada Danger, que foi adquirida pela Microsoft depois de um projeto bem sucedido em telefonia chamado Sidekick.

Os dispositivos tinham um formato compacto, com um teclado físico retrátil e recursos interessantes para o período, como backup automático na nuvem. A versão Two era a mais robusta e poderosa, com câmera traseira de 8 MP e chip Nvidia Tegra de 600 MHz, além de uma tela de 3,4″.
Porém, eles eram muito limitados em aplicativos, especificações técnicas e recursos em comparação ao iPhone, que estava cada vez mais avançado e já na terceira geração, e as alternativas variadas do Android.
Os celulares Kin ainda eram caros em plano de telefonia, limitados à operadora estadunidense Verizon, e tinham problemas técnicos que eram de conhecimento da empresa. O baixo desempenho e o alto custo fez ele ter vida curta: foram menos de dois meses no mercado até as vendas serem encerradas.
A lenda do Surface Phone
A companhia também considerou por volta de 2013 o lançamento de um aparelho que seria chamado de Surface Phone. Como o próprio nome indica, ele seria uma versão em celular da linha Surface de eletrônicos, até então composta por um aparelho 2-em-1 com funções de tablet e notebook. Naquele período, o uso desses aparelhos era principalmente voltado aos meios corporativo e educacional.
O Surface Phone possivelmente teve vários protótipos considerados e descartados pela empresa, mas apenas um deles parece ter vazado em agosto de 2026. Em duas fotos, foi possível ter a por enquanto única evidência material de que o aparelho de fato existiu internamente.

Esse dispositivo rodaria um sistema operacional interno que viria a se tornar o Windows Phone 8.1, além de ter um processador da Qualcomm não detalhado, tela de resolução HD (720p) e recursos corporativos ou de comunicação, como uma integração direta com o Skype.
Ele também apresenta um visual metálico na cor prata, além de contar com três botões físicos para navegação, duas câmeras (uma traseira e a outra frontal) e a logo da Microsoft em destaque.
Conhecido internamente sob o codinome Raven, o produto foi descartado após a aquisição da divisão de dispositivos móveis da Nokia, em 2014. Anos depois, até mesmo um abaixo-assinado foi criado por fãs para que o projeto não fosse abandonado, sem respostas por parte da marca.
Surface Duo e Surface Duo 2
A última tentativa da Microsoft até agora de lançar smartphones sob a marca própria foi uma espécie de derivação do projeto cancelado. Em outubro de 2019, a Microsoft volta ao mercado de celulares com o Surface Duo, um curioso aparelho de duas telas.
Em vez de ser um modelo dobrável, o aparelho tinha dois displays que podiam agir como um só no modo aberto. Ele trazia um chip Snapdragon, da Qualcomm, além do Android como sistema operacional.

Com vendas bastante limitadas e meses de atraso do anúncio ao lançamento, ele recebeu uma segunda geração: o Surface Duo 2, também sem uma recepção muito positiva no mercado ou entre a crítica especializada.
Especificações técnicas do Surface Duo 2
- Sistema operacional: Android 11;
- Telas: dois painéis AMOLED de 5,8″ (1344×1892 pixels) e 90Hz;
- Processador: Snapdragon 888 5G;
- RAM: 8 GB;
- Armazenamento interno: 128, 256 ou 512 GB;
- Câmeras traseiras: sensor principal (12 MP), ultra-wide (16 MP) e telefoto (12 MP com zoom de 2x);
- Câmera fontal: 12 MP;
- Bateria: 4.500 mAh;
- Medidas (aberto): 145,2 x 184,5 x 5,5 mm;
- Medidas (fechado): 145,2 x 92,1 x 11,0 mm;
- Peso: 284g.
Após esse modelo e depois de experiências que não tiveram um final feliz, a Microsoft voltou a atuar mais como fornecedora de software e plataforma para fabricantes, sem qualquer pista de que ela volte a esse mercado novamente.
A linha Surface segue recebendo atualizações, porém restritos a tablets e notebooks e em poucos mercados, enquanto a Microsoft escolheu estar presente nos smartphones de outras marcas a partir de serviços como OneDrive, Teams e Microsoft 365, entre outros.
Que fim levou a Nextel, operadora de celular que parecia um walkie-talkie? Descubra neste artigo!
