The Legend of Zelda: Ocarina of Time chegou ao mundo no Nintendo 64 há quase 30 anos, em novembro de 1998. Nessa época, do meio para o final dos anos 1990, vimos o lançamento de diversos outros jogos extremamente icônicos, como Final Fantasy 7, Super Mario 64, Half-Life, Metal Gear Solid e Grand Theft Auto, mas Ocarina of Time sempre foi colocado em um patamar separado. Citado por tantos anos como o melhor jogo já criado, é normal questionar o que exatamente torna esse título tão especial e diferente de tantos games que também moldaram e inspiraram a indústria atual.
Essa é uma dúvida ainda maior para aqueles que não o jogaram em sua época original e hoje não entendem o motivo dele ser visto dessa forma. Responder isso não é tão simples, mas faremos o possível para explicar o contexto da época de seu lançamento, o que ele trouxe de inovador e o que ele representa para o mundo dos games até hoje. Se quiser entender por que The Legend of Zelda: Ocarina of Time é um dos melhores jogos de todos os tempos, é só conferir logo abaixo!
“Um jogo tão normalzinho”
É comum jogar The Legend of Zelda: Ocarina of Time hoje em dia pela primeira e achá-lo um bom game, porém normal e sem nada demais que justificasse tantos elogios e adoração da indústria por tanto tempo. Esse sentimento pode se extrapolar para quem o vê no topo do Metacritic com uma nota praticamente impossível de alcançar (99), até para os jogos tidos como obras-primas do meio. Se olhar as avaliações de usuários mais recentes por lá, verá muitos comentários negativos de pessoas falando que o jogo é datado, que os controles são ruins, que a câmera é horrível e que os gráficos são feios, só para citar alguns exemplos.
É claro que jogar algo lançado há quase três décadas pela primeira vez pode causar um estranhamento e, obviamente, sempre podemos avaliar como o jogo envelheceu desde sua estreia. Ainda assim, não seria justo fazer um tipo de revisionismo completo, ignorando o contexto do game em seu lançamento e o que ele representou e continua a representar para os games atuais.
É além do óbvio observar que o visual, os controles e design de Ocarina of Time são datados em comparação com algo como Elden Ring, The Witcher 3 ou Red Dead Redemption 2. Seria impossível que isso não acontecesse, mas é necessário lembrar que esses jogos não seriam o que são se esse clássico não tivesse existido.
A virada do 2D para 3D
Muito do que vemos em jogos de ação e aventura em mundos 3D veio dos pilares estabelecidos nesta era do Nintendo 64 e PlayStation, especialmente do que foi popularizado na aventura de Link. As clássicas perspectivas de lado ou de cima para baixo deram lugar a um ponto de vista em primeira e em terceira pessoa, com a possibilidade de explorar os ambientes à nossa volta com uma sensação de maior liberdade e imersão do que antes. O problema é que essa mudança trazia alguns desafios, já que o jogador teria que cuidar não só da movimentação de seu personagem, como da câmera e ajustes de mira durante combates ou resolução de puzzles.

Nos primeiros jogos dessa época, vimos inúmeras tentativas frustradas e, francamente, ruins de entregar uma experiência nova que funcionasse no novo esquema. De muitas formas, Super Mario 64 abriu as portas para algo agradável, que funcionava bem e não era difícil para os jogadores aprenderem. Pouco tempo depois, Ocarina of Time chegaria não só para aprimorar o gameplay tridimensional, mas também para inová-lo.
A Nintendo decidiu não dar uma câmera totalmente livre ao jogador, até porque o controle do Nintendo 64 só possuía um analógico, algo que já era inédito o suficiente para consoles da era. O que recebemos foi uma câmera mais fixa atrás de Link e que poderia ser ajustada com um botão, levando seu ângulo de volta às costas do personagem quando necessário. Para lidar com a mira, a empresa apostou na inovação do Z-Targeting, que consistia de uma trava no inimigo, NPC ou objeto com o qual queríamos interagir.
Influências que continuam até hoje
Essa forma de trava de mira e o estilo de combate que tínhamos em Ocarina of Time ficaram como uma herança que vemos até hoje em diversos jogos. É quase impossível jogar Dark Souls, ou a maior parte dos games soulslike, sem perceber que a inspiração direta de Link travando sua mira nos inimigos, levantando seu escudo, desviando dos ataques e analisando o padrão ofensivo de seu adversário antes de deferir seus próprios golpes.
É claro que a nova perspectiva também favorecia bastante a exploração, fosse das diversas localidades presentes em Hyrule ou qualquer uma das dungeons do game. Embora não se compare com jogos de mundo aberto da atualidade, Ocarina of Time nos deu o primeiro verdadeiro gostinho de como seria estar solto em um mapa vasto e cheio de detalhes, vilarejos, NPCs e inimigos. Melhor do que deixar tudo liberado de início, o game ainda nos restringia a descobrir cada área e dungeon aos poucos, deixando uma sensação de surpresa de início a fim e que nos recompensava por conseguir um upgrade ou item novo.

Para aprimorar ainda mais nossa interação com esse mundo, o game contava com as famosas “ações contextuais”, ou seja, tínhamos um botão que podia realizar inúmeras atividades diferentes dependendo da situação. Desta forma, ao apertar o botão “A” no controle, você poderia abrir uma porta, rolar pelo chão, pegar um objeto (como pedra ou vaso), empurrar blocos, abrir baús, escalar, conversar com NPCs e muito mais. É claro que havia jogos em 2D que já tinham ações diferentes para o mesmo botão, mas Ocarina of Time foi quem passou a mostrar o que poderia ser feito diretamente na tela e popularizou de vez esse tipo de uso contextual.
Além disso, o ciclo de dia e noite, as histórias individuais de vários NPCs e a forma como o mundo mudava entre as duas épocas (do Link criança e adolescente) tornava essa Hyrule em algo mais palpável e real do que em jogos prévios da franquia. Embora já tivéssemos visto os diferentes povos e regiões nos outros títulos da série, foi em Ocarina of Time que o lore e a construção de mundo se tornou muito mais robusta. Finalmente era possível realmente ter uma ideia mais “realista” de como Death Mountain, Zora’s Domain, Gerudo Valley ou Kakariko Village se pareciam.
Da mesma forma, a Nintendo teve um grande cuidado ao criar as 8 dungeons principais que precisamos visitar em nossa jornada para salvar Hyrule. Cada local é totalmente distinto, contando com visuais e músicas que remetem perfeitamente ao que cada dungeon deveria representar, seja o interior da barriga de um peixe enorme ou o calabouço secreto de tortura da família real de Hyrule. Ainda havia um grande foco em entregar uma boa trama principal, com aliados carismáticos e uma trilha sonora dinâmica que mudava dependendo das ações. Claro, tudo isso parece óbvio hoje em dia, já que é o mínimo que se espera, mas esses eram exatamente os elementos diferenciais de Ocarina of Time em 1998.
São esses pontos que são necessários ter em mente se você está se aventurando nessa jornada pela primeira vez. Dentre tantas franquias da época, Ocarina of Time não só demonstrou maestria na transição do 2D para 3D, como introduziu mecânicas e popularizou conceitos que se tornariam o padrão da indústria em pouco tempo. Após quase três décadas desde seu lançamento, sua influência ainda é sentida em praticamente todos os jogos de RPG, ação, aventura e tantos outros gêneros.
Isso realmente importa ao jogar o game atualmente?

Tendo em mente o que The Legend of Zelda: Ocarina of Time fez e representou em seu lançamento, podemos entender o motivo dele ser considerado um dos melhores jogos já criados na história. Na época, ele recebeu notas perfeitas e continua a ser aclamado da mesma forma pela maioria das pessoas até hoje. Só que a questão que fica é: isso realmente importa para alguém que o joga pela primeira vez atualmente?
Honestamente, não. Quem for jogá-lo hoje em dia vai se importar mais se o game ainda é divertido e se envelheceu bem ou não. Na minha opinião, é muito difícil voltar para certos títulos, mesmo que eles tenham sido revolucionários em suas respectivas épocas. No caso de Ocarina of Time, sinto que praticamente tudo nele envelheceu muito bem, mas os comandos mais rudimentares, o esquema dos menus (como ter que pausar para usar alguns itens) e a falta de controle manual da câmera são elementos que podem causar irritação.
Em 1998, tudo era novidade e não havia nada melhor ou sequer igual para compararmos com Ocarina of Time, mas nos dias atuais, todos os jogos já pegaram essas mecânicas e as aprimoraram, mudaram e as evoluíram várias vezes. Mesmo assim, é impressionante como o resto se manteve tão bem e fresco, como algo que genuinamente poderia ter sido lançado em 2026. Não é à toa que a Nintendo decidiu manter o remake do jogo para o Switch 2 como algo praticamente intocável, além daquilo que envelheceu, como os gráficos, a câmera, movimentação e gerenciamento do inventário de itens.
Ainda é o melhor jogo já feito?
Dos anos 1990 para cá, já vimos inúmeras inovações e jogos que mudaram completamente a indústria do seu próprio jeito, mas ainda pensamos em Ocarina of Time quando falamos dos melhores títulos já criados. Isso provavelmente não vai mudar tão cedo, até porque comparar algo feito na infância da indústria de jogos com algo desenvolvido atualmente se torna uma tarefa injusta. Indo para um lado mais emotivo, talvez a melhor forma de entender esse game e o que ele representa não seja com notas do Metacritic ou olhando listas dos “melhores jogos já feitos”, mas sim pelo seu conteúdo e os sentimentos que ele evoca.

Pode até não ser o seu caso, mas para uma geração inteira, essa foi a primeira vez que um mundo virtual parecia um local real que podia ser explorado, com pessoas com quem podíamos nos importar de verdade e que queríamos salvar. Para mim, especificamente, nenhum outro jogo conseguiu chegar perto do sentimento de ver a simples cena de menu em que Link e Epona correm por Hyrule Field ao pôr do sol enquanto o tema principal toca ao fundo.
Tudo o que veio após isso foi a experiência mais incrível que eu poderia ter tido aos 7 anos de idade, o que torna irrelevante para mim esse é ou não o melhor jogo já feito na história dos games. O que posso afirmar é que, com um nome e uma trama que giram em torno do tempo, The Legend of Zelda: Ocarina of Time é, de maneira quase poética, incrivelmente atemporal.
Compre o jogo na pré-venda
- The Legend of Zelda: Ocarina of Time – Nintendo Switch 2 por R$409,10 na Amazon
- The Legend of Zelda: Ocarina of Time – Nintendo Switch 2 por R$439,90 no KaBuM!
Essa matéria não é patrocinada, mas contém links de parceiros. O TecMundo pode ganhar comissão pelas vendas geradas por meio desses links.
Reiteramos nosso compromisso em indicar apenas produtos e promoções curados e selecionados pelos nossos especialistas, sempre levando em consideração a experiência dos nossos leitores.