Pimbolas é o jogo brasileiro que traz o clássico pebolim para os videogames

O pebolim é um jogo de mesa que faz parte da cultura brasileira. Com nomes diferentes dependendo da região, o brinquedo é uma adaptação do futebol para um formato menor, casual e acessível. É a partir de um princípio bem parecido que nasceu o Pimbolas, um novo jogo indie do estúdio brasileiro Nano Knight Studios.

Pimbolas leva o pebolim – aqui no Rio, totó – para os videogames, adaptando o controle dos varões para os analógicos e trazendo várias das mecânicas conhecidas do jogo de mesa para o formato digital. O jogo foi lançado nesta quarta-feira (16) por R$ 24,99 na Steam, mas com desconto de estreia saindo por R$ 19,99.

Há uma semana, o Voxel teve a oportunidade de entrevistar os desenvolvedores para entender mais sobre o processo criativo por trás do projeto. Agora, chegou a esperada hora da review: como é jogar Pimbolas? O jogo consegue, de fato, levar o clássico pebolim para os videogames? Confira a análise completa a seguir, realizada com uma key cedida pela desenvolvedora.

Pebolim é difícil de adaptar – e o Pimbolas marcou um golaço nisso

Jogos de futebol existem aos montes, mas Pimbolas não é um deles. Pimbolas é uma versão digital de pebolim, e isso o destaca dos demais. A proposta do game é ser casual, mas com um espaço notável para aperfeiçoamento de mecânicas – aquele papo de “fácil de jogar, difícil de masterizar”. O game herda do futebol somente as regras fundamentais: dois times se enfrentam em campo com o objetivo de marcar gols.

A jogatina é dinâmica, galhofa e divertida, principalmente com amigos. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

Para tornar a adaptação possível, cada jogador controla um ou dois varões com os analógicos do gamepad. Há um botão dedicado para o domínio e chute simples, outro para roletar e um para pular – impossível na vida real, mas necessário aqui para fazer bloqueios cinematográficos. É um princípio bem simples.

A Nano Knight Studios também aproveita umas liberdades criativas para tornar a jogatina mais exótica, como o “Super Chute” – chute especial cuja energia é acumulada ao longo da partida –, variados power-ups e bolas que tornam o gameplay mais dinâmico e inédito. A Bola Siri, que anda de lado e pode tirar um jogador de campo temporariamente, é uma das adições mais legais.

A Bola Siri anda de ladinho (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

Por si só, a adaptação do jogo de mesa real para os joysticks convencionais é um baita feito. O esquema de controles é coerente e fácil de compreender. Não é à toa que o jogo recomenda o uso de um gamepad para jogá-lo.

Nesse quesito, o problema reside nos controles do teclado. O esquema de botões é fácil de entender, mas não é confortável e exige uma coordenação bem refinada para controlar os dois varões com eficiência.

Infelizmente, o Pimbolas não oferece opções avançadas para personalizar o esquema de controles. A única opção disponível é a escolha do “Modo de Controle” entre “Normal” e “Simples”, cuja diferença está somente na roletada e no chute.

A máquina me deu uma coça

A jogatina contra a CPU no Pimbolas é fácil no começo, mas fica cruel rapidamente. Logo na segunda arena comecei a ter dificuldade para enfrentar o adversário, que acompanhava meus movimentos com uma sincronia absurda e até segurava os “Super Chutes” quase todas as vezes. Foi bem difícil vencê-los.

O Super Chute é um ataque especial cuja energia é acumulada à medida que você joga. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

Não consigo definir se as minhas derrotas foram consequência da minha falta de habilidade com totó ou se os adversários são impossíveis de vencer. Em vários momentos, fiquei muito frustrado por não conseguir fazer jogada alguma contra a Fror (um dos adversários da praia), sem sequer conseguir passar a bola para o lado adversário ou fazer um gol contra acidental.

Uma particularidade que notei durante as partidas é a diferença de velocidade no movimento do varão. No controle, pareceu difícil movimentar o boneco para desviar dos jogadores adversários. Não demorou muito para eu ajustar a sensibilidade no menu de configurações, mas a diferença foi pouco notável.

Entendo que a precisão e o balanceamento competitivo não sejam a prioridade de jogos casuais como Pimbolas, e conheço vários games que abrem mão dessa precisão cirúrgica em favor de algo mais galhofa. Porém, o nível de proficiência que a máquina me exigiu foi suficiente para começar a me incomodar com a inconsistência dos movimentos, principalmente quando os chutes pareciam ser imprevisíveis em termos de força.

Os power-ups e bolas tornam a jogatina mais dinâmica e diferente do pebolim convencional. (Fonte: Igor Almenara/TecMundo)

Pimbolas é para ser jogado com amigos

Apesar das frustrações contra a máquina, é evidente que Pimbolas foi desenvolvido para ser jogado entre amigos. O jogo não esconde esse propósito: ele oferece dois modos para a jogatina em galera – a Partida Rápida e o Campeonato –, ambos oferecendo um refinado conjunto de opções acerca das regras de jogo.

É possível até remover o domínio de bola ou a roletada do jogo nesses modos multiplayer. Isso emula as regras “boca a boca” do pebolim da vida real, denotando atenção refinada da Nano Knight. Naturalmente, os power-ups e as diferentes bolas também podem ser ativados ou desativados antes da jogatina.

No lançamento, Pimbolas oferece modos de jogo para até 4 jogadores. Não tive a oportunidade de experimentar o game com tantas pessoas, mas notei que o jogo restringe um periférico por pessoa, apesar de cada entrada controlar um único varão.

Essa restrição no número de periféricos é uma escolha da Nano Knight, mas é sabido que é possível dividir o mesmo teclado e controle para duas pessoas. Diferentes jogos casuais oferecem essa possibilidade, incluindo a franquia Overcooked. É algo que a Nano Knight poderia considerar implementar no futuro.

Outro ponto de destaque é a atenção do Pimbolas para o uso do Remote Play Together da Steam. O jogo não oferece multiplayer nativo, mas oferece caminhos rápidos para a jogatina por streaming – o que é suficiente para o contexto do game. A escolha pode até ser vista como um facilitador, já que até 4 pessoas podem se divertir com uma única cópia.

Pimbolas tem uma série de personagens, incluindo algumas participações especiais de jogos indie. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

No precinho de um lanche

Na entrevista para o Voxel, a Nano Knight destacou que não queria que o preço fosse uma barreira de entrada para o público interessado no game, mas não deu detalhes sobre o valor. Agora na estreia, o preço foi finalmente revelado: R$ 24,99, sem descontos.

É um valor bastante atraente para um jogo do tipo e pode ficar ainda mais baixo numa promoção. Nessa faixa, a concorrência é bem menor, o que projeta o Pimbolas como uma opção bastante válida de jogo na Steam – principalmente para quem curte o gênero de couch games casuais.

Pebolim virou videogame

Nesta quarta-feira (16), finalmente é possível dizer que o pebolim virou jogo de videogame. Pimbolas consegue ser uma ótima adaptação digital do jogo de mesa, resgatando a cultura do brinquedo e adicionando caprichos modernos inerentes à mídia.

É divertido com amigos, mas muito frustrante contra a máquina. É notável que ainda são necessários certos balanceamentos e ajustes, seja no esquema de controles, na dificuldade dos adversários NPCs ou nas opções de modo de jogo. Apesar disso, é um jogo bonito, pouco exigente em requisitos mínimos e baratinho.

A jogatina contra a máquina é cruel às vezes. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

Considerando o papo com a Nano Knight, acredito que os desenvolvedores ficarão atentos ao feedback da comunidade e devem refinar os aspectos mencionados neste review e em outros conteúdos publicados ao longo do tempo. É pouco provável que Pimbolas acabe virando um jogo como serviço grandioso e com suporte permanente, mas acredito que ele receberá refinamentos ao longo do tempo.

Um dos indícios disso é o fato de que Pimbolas também será lançado nos consoles, como Nintendo Switch. A Nano Knight não sabe dizer quando a estreia vai acontecer, mas a preparação já está em andamento e os devs foram bem claros quanto a esse objetivo.

Resta torcer!

Nota do Voxel: 75

Pontos positivos (Prós):

  • É uma baita adaptação digital de pebolim;
  • Jogatina no controle é fácil de pegar e oferece certa profundidade;
  • Visual e efeitos sonoros muito bem feitos e coerentes para a proposta;
  • Jogatina toda em português brasileiro – o jogo é nacional!

Pontos negativos (Contras):

  • Jogatina muito frustrante contra a máquina;
  • Esquema de controles ruim no teclado e com poucas opções de personalização.

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