Óculos inteligentes da Meta têm código oculto de reconhecimento de rostos e pessoas

A Meta adicionou, discretamente, um código para reconhecimento facial em óculos inteligentes, mesmo afirmando que a implementação estava sendo avaliada, conforme revelou a Wired na última quinta-feira (4). A descoberta reacende preocupações sobre privacidade e vigilância. O recurso ainda não está ativado e a empresa se recusou a comentar o assunto.

Uma análise do app Meta AI, utilizado em conjunto com os modelos Ray-Ban e Oakley da big tech, revelou a existência do mecanismo “NameTag”, capaz de identificar pessoas fotografadas e gravadas pelas câmeras desses gadgets, alertando se alguém for reconhecido. 

Como funciona a ferramenta?

A função de reconhecimento facial transforma rostos registrados pelas câmeras dos óculos inteligentes em assinaturas biométricas únicas, como detalha a reportagem. Esses dados são comparados com as impressões faciais de um banco de dados armazenado no app da IA da Meta.

  • Se encontrar correspondência, a tecnologia emite uma notificação, enquanto as imagens não identificadas são guardadas para processamento posterior;
  • O NameTag é composto por três modelos de IA, que fazem a detecção, recorte e conversão em assinatura biométrica dos rostos;
  • Esses sistemas estão sendo adicionados ao app desde janeiro por meio de atualização, como aponta a investigação, acumulando ao menos 50 milhões de downloads;
  • Pesquisadores de segurança independentes consultados pela publicação afirmaram que a tecnologia aparenta estar quase pronta para uso.
A função permite identificar pessoas cujos rostos forem captados pelas câmeras dos óculos inteligentes da Meta. (Imagem: metamorworks/Getty Images)

O recurso de reconhecimento facial que poderá ser integrado aos óculos da Meta remete ao mecanismo que a dona do Facebook afirma ter desativado em 2021, por críticas e processos relacionados à coleta de dados biométricos. Na ocasião, ela anunciou a exclusão de bilhões de registros faciais de usuários da rede social.

Desde então, precisou fazer acordos que chegaram a até US$ 1,4 bilhão (R$ 7,2 bilhões) para encerrar processos por coleta indevida dessas informações. Questionada sobre o funcionamento do NameTag e o armazenamento dos dados, a big tech não respondeu.

Responsável por fabricar os óculos inteligentes Ray-Ban e Oakley, a EssilorLuxottica também não se pronunciou.

Os dispositivos vestíveis da Meta estiveram envolvidos em outra polêmica recente, com vazamentos de vídeos íntimos para moderadores humanos. Confira mais detalhes nesta matéria.

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