A Uber é mais uma empresa que deve reavaliar a utilização massiva de inteligência artificial (IA) nos processos internos ao longo de 2026. Quem confirma a reflexão em andamento é o presidente e gerente de operações (COO) da companhia, Andrew Macdonald.
Em uma entrevista ao Rapid Response, que pode ser conferida na íntegra no YouTube, o executivo citou uma possível reavaliação do investimento feito em tokens de serviços como o Claude Code, que foi adotado em massa na companhia nos últimos meses.
A Microsoft tomou uma medida prática há pouco tempo, também preocupada com esse cenário: ela cancelou licenças do Claude Code usadas internamente para economizar e priorizar ferramentas proprietárias.
O que a Uber pensa agora sobre gastos com IA
Outra entrevista recente de um gerente da empresa, o chefe de tecnologia Praveen Neppalli Naga, viralizou por confirmar a empolgação da empresa de apps de transporte: ele revelou que a companhia gastou no meio de março todo o orçamento planejado para o setor de IA ao longo de 2026.
O problema? De acordo com Macdonald, os resultados em termos de eficácia na entrega de resultados e produtos melhores não foram notados, considerando a quantidade de funcionários envolvidos, o consumo de tokens e o fato da Uber se autointitular hoje como uma empresa de engenharia.
“Se você não consegue traçar uma linha direta entre a quantidade de recursos e funcionalidades úteis que está entregando aos seus usuários, essa negociação se torna mais difícil de justificar, porque IA não é gratuita“, afirma.
- O valor crescente é principalmente em tokens, que são as unidades fundamentais de dados de um grande modelo de linguagem (LLM) e são “gastos” para processar e gerar informações;
- A chinesa DeepSeek, na contramão das rivais, recentemente anunciou um corte de preço agressivo e definitivo nos custos da API para ganhar mercado sobre as rivais;
- Investidores e executivos de empresas de IA tendem a discordar do cenário pessimista: Jeff Bezos, fundador da Amazon, defende a atual onda de investimentos e o financiamento de “muitos projetos importantes”, enquanto Sam Altman, da OpenAI, comparou os altos gastos de sistemas de IA com os de seres humanos ao longo da vida.
Macdonald reforça que “implicitamente” a empresa até pode estar lançando mais produtos ou recursos. Porém, a falta da tal linha direta, que confirme algo como a produção de 25% a mais de recursos, dificulta a comparação e a confiança de que o investimento alto deve continuar. Ainda assim, ele não é totalmente cético quanto ao futuro dessa indústria.
“Acho que nos próximos trimestres e anos, talvez isso fique mais claro, mas acho que hoje é difícil, mesmo que algumas das métricas subjacentes estejam apresentando uma tendência realmente astronômica”, conclui.
Como o uso da IA está redefinindo setores como atendimento, obras e mobilidade no Brasil? Saiba mais nesta coluna publicada no TecMundo!
