Dois irmãos foram condenados a mais de nove anos de prisão por operarem uma rede de canais IPTV pirata. A sentença foi proferida pela 2ª Vara dos Feitos Relativos às Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais do Estado de Goiás. Os réus condenados respondem por crimes como lavagem de dinheiro e violação de direitos autorais.
A decisão da Vara entende que os dois homens operavam de forma ativa e coordenada uma rede de canais de TV ilícitos por meio das plataformas iptvduo e factoryiptv. Segundo o juiz Alessandro Pereira Pacheco, ambos estruturaram uma grande operação para viabilizar a retransmissão de conteúdos protegidos por direitos autorais.
Para realizar a retransmissão dos canais, os criminosos utilizavam técnicas como o cardsharing. A essa técnica consiste em utilizar o cartão de acesso de aparelhos de TV por assinatura de maneira compartilhada para realizar a transmissão não autorizada dos canais de televisão por assinatura.
Além disso, ambos os condenados acessavam serviços e plataformas usadas para obter chaves de autenticação para o compartilhamento. O grande objetivo era conseguir superar a criptografia de dados usada nos aparelhos para que então eles pudessem repassar os conteúdos aos clientes do IPTV pirata.
Condenados usaram mãe e avó nos esquemas
Fora as técnicas usadas pelos dois irmãos, a dupla também usou dados pessoais de familiares, como mãe e avó, para continuar o esquema. A sentença entendeu que os dois utilizaram essas informações para a abertura de contas bancárias, registro de domínios de internet, etc.
Apesar disso, tanto a mãe quanto a avó foram inocentadas do caso, uma vez que o juiz entendeu que a participação de ambas não foi deliberada. Na visão de Pacheco, os dois familiares cederam os dados aos criminosos por pensarem que eles seriam utilizados para atividades lícitas, não crimes.
O processo também indicou que uma empresa de fachada era utilizada para realizar a lavagem de dinheiro proveniente do IPTV. A empresa Manzi Modas servia para receber os ganhos da atividade criminosa, mas após a investigação, as autoridades entenderam que os valores não eram compatíveis com o negócio.
Inclusive, vale notar que boa parte da movimentação financeira usava as contas bancárias de terceiros, como a mãe e a avó, para tentar conferir algum grau de legalidade nesse esquema. O juiz responsável pelo caso entendeu que todo o conjunto de provas atesta que os irmãos agiram de maneira extremamente coordenada para explorar conteúdo audiovisual sem permissão e lucrar com isso.
Com a condenação, os criminosos foram submetidos a penas de 9 anos e 2 meses de prisão em regime fechado. Além de cumprirem a pena em uma prisão, também foi decretado o pagamento de R$ 1,5 milhão como reparação de prejuízos causados ao setor audiovisual.
Por falar em IPTV, pesquisadores de segurança descobriram um vírus chamado Perseus que consegue roubar credenciais bancárias de dispositivos desse tipo. Para mais informações sobre novos smartphones e produtos de tecnologia, fique de olho no site do TecMundo e se mantenha bem informado.
