Golpe usa recurso legítimo de segurança para burlar autenticação em duas etapas e roubar dados

Um golpe utiliza a autenticação por código de dispositivo, um recurso originalmente desenvolvido para facilitar o acesso em aparelhos com entrada limitada de texto, para roubar dados. Segundo uma pesquisa da equipe de analistas da Trend Micro, os criminosos utilizam essa funcionalidade legítima para contornar a autenticação multifator (MFA) e driblar sistemas de proteção corporativa sem precisar capturar a senha da vítima.

O ataque começa com abordagens de engenharia social, muitas vezes iniciadas por meio de conversas amigáveis que simulam parcerias comerciais ou prestação de serviços. Os invasores enviam links que passam por verificações de segurança ao utilizar serviços confiáveis, como o Google Sites, para redirecionar o usuário para páginas falsas de verificação de documentos. Nesse estágio, a vítima recebe um código curto e é instruída a digitá-lo em uma tela de login real da Microsoft.

Como o procedimento ocorre em um ambiente genuíno e o próprio usuário conclui a verificação, a plataforma de autenticação valida a operação. No entanto, o código inserido havia sido solicitado anteriormente pelo servidor do invasor.

 Fluxo de dispositivo-código como projetado. O dispositivo que solicita o código é o dispositivo que recebe os tokens (Reprodução/Trend Micro)

Os criminosos recebem os tokens de acesso diretamente em seus sistemas e registram novos aparelhos desconhecidos na rede. Os golpistas passam, então, a controlar caixas de correio eletrônico corporativas de forma silenciosa e prolongada.

Como o golpe engana sistemas de segurança e usuários

“O phishing de código de dispositivo é um lembrete de que os invasores vão atrás das costuras entre os recursos, e não apenas dos recursos em si”, destacaram os pesquisadores Ahmed Elsayed, Ahmed Hussein, Ahmed Kamal e Mahmoud Soheem, da Trend Micro, no relatório publicado em 22 de julho.

 O mesmo fluxo, abusado. O atacante solicita o código e recebe os tokens, enquanto a vítima executa o login (Reprodução/Trend Micro)

Além do alerta sobre o “phishing de código de dispositivo”, os especialistas ressaltaram que o problema reside no uso malicioso de um fluxo perfeitamente legítimo. “Nada aqui é uma falha de software. É um fluxo legítimo, uma página de login confiável e uma história crível, combinados em um ataque que silenciosamente evita o controle no qual a maioria das organizações se apoia,” afirmam.

Para mitigar os riscos e proteger os ambientes corporativos contra esse tipo de invasão baseada em identidade, os analistas da empresa de cibersegurança recomendaram algumas medidas preventivas.

“As melhores defesas são aumentar a consciência do usuário, bloquear o fluxo de código de dispositivo onde ele não é necessário e usar uma solução de detecção que captura o comportamento e mantém a observação sobre os eventos subjacentes”, finalizaram.

Por falar em falhas de segurança digital, o Google corrigiu uma brecha que deixava IA escalar privilégios e rodar códigos externos. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima