Golpe usa nome do Claude Code para roubar senhas de usuários

Uma campanha ativa está roubando credenciais que usa o nome do Claude Code, ferramenta de programação por inteligência artificial da Anthropic, para enganar usuários inexperientes. O ataque começa quando a vítima pesquisa no Google como instalar o programa e encontra um site falso posicionado no topo dos resultados de busca.

A Anthropic não foi comprometida. O que os criminosos estão fazendo é imitar a marca para atingir quem ainda não conhece o produto.

Quem são as vítimas

O perfil das vítimas não é o de profissionais de TI, como de costume. Na verdade, são pequenos empreendedores querendo automatizar processos, professores construindo ferramentas próprias e pessoas que descobriram recentemente que podem criar programas sem ter formação em tecnologia. Esse grupo combina alto entusiasmo com baixa familiaridade com ameaças digitais.

Diagrama produzido pela equipe Howler Cell da Cyderes mostra as seis etapas do ataque, desde o resultado envenenado no Google até o envio das credenciais roubadas para infraestrutura russa. Imagem: Cyderes.

Os criminosos monitoram quais ferramentas de IA estão crescendo rápido em número de usuários e o Claude Code virou alvo exatamente por isso. Quanto mais gente nova busca como instalar o programa, maior a chance de alguém cair na página falsa.

ClickFix como isca

A técnica usada para enganar as vítimas se chama ClickFix e tem aparecido em diversas campanhas ao longo dos últimos meses. O site falso instrui o usuário a abrir a janela “Executar” do Windows, usando o atalho Win+R e colar um comando de texto. A interface apresenta isso como um passo obrigatório de instalação.

Para quem nunca instalou o Claude Code, não há nenhum sinal de alerta. Colar comandos durante uma instalação parece tão plausível quanto qualquer outra etapa de um tutorial.

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O arquivo entregue na primeira etapa do ataque é um MP3 válido e reproduzível no VLC, mas contém um script HTA oculto que o Windows executa como código malicioso. Imagem: Cyderes.

O arquivo disfarçado

Ao executar o comando, o computador baixa um arquivo de 6,7 MB que parece ser um MP3. Ele tem capa, tags de áudio e até trechos sonoros válidos que podem ser reproduzidos normalmente em um tocador de música. Ferramentas de segurança que identificam arquivos pelo tipo veem um áudio legítimo e não disparam alertas.

O que essas ferramentas não veem é o script malicioso escondido dentro do mesmo arquivo. O Windows não o trata como música. Ele encontra o código oculto e o executa diretamente.

Desmontando as defesas do sistema

A partir daí, o ataque toma conta do computador em etapas. Primeiro, o script abre uma versão antiga do PowerShell, o terminal de comandos do Windows, especificamente a de 32 bits. Sistemas de segurança modernos tendem a monitorar mais a versão atual, de 64 bits, e os criminosos sabem disso.

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Após decodificação, o script revela a chave RC4 usada para descriptografar strings maliciosas e o endereço único gerado a partir do nome do computador da vítima para baixar o payload final. Imagem: Cyderes.

Com o PowerShell aberto, o código desativa o AMSI, que é o verificador de scripts embutido no Windows e funciona como uma camada extra de proteção contra comandos maliciosos. Sem essa barreira, o próximo passo fica livre para rodar sem interferência.

O sistema então baixa um segundo arquivo diretamente na memória do computador, sem salvar nada no disco rígido. Isso é importante porque a maioria dos antivírus rastreia arquivos gravados no sistema. O que nunca toca o disco é muito mais difícil de detectar.

Esse arquivo tem 17 MB, um tamanho incomum para esse tipo de código. Ferramentas automatizadas de análise de segurança, chamadas sandboxes, costumam travar ou abortar a análise quando encontram arquivos tão grandes, deixando o conteúdo passar sem inspeção.

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Pesquisadores identificaram no código malicioso um carregador reflexivo que executa o infostealer diretamente na memória do PowerShell, sem gravar nenhum arquivo no disco. Imagem: Cyderes.

Como o roubo acontece

O programa que chega ao final dessa cadeia acessa o banco de dados interno dos navegadores, onde ficam armazenadas senhas salvas, e envia tudo para um servidor com infraestrutura russa.

Cada vítima recebe um link de download gerado a partir do nome do próprio computador e do nome de usuário. Isso cria um endereço único para cada infecção, o que torna inútil compartilhar links específicos como alerta. O domínio oakenfjrod[.]ru é o indicador confiável, e os pesquisadores recomendam bloqueá-lo por completo.

O que fazer agora

Quem seguiu instruções de instalação do Claude Code que pediam para colar um comando no “Executar” do Windows deve considerar o computador comprometido. A recomendação é trocar todas as senhas imediatamente, de preferência usando outro dispositivo.

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Campanha ativa identificada pela Cyderes mira usuários iniciantes do Claude Code com ataque de roubo de credenciais em seis etapas.

A instalação legítima do Claude Code é feita diretamente pelo site oficial da Anthropic, em anthropic.com, sem passar por links patrocinados ou resultados de busca que levem a páginas desconhecidas.

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