Funcionários da Hyundai fazem greve contra robôs humanoides em fábricas

Trabalhadores da montadora Hyundai na Coreia do Sul estão em estado de greve parcial nos últimos dias por um motivo até então inédito na indústria. O sindicato que representa o grupo de funcionários pede, entre outras demandas, garantias de que robôs humanoides não substituirão integralmente a força de trabalho humana.

Os protestos acontecem na cidade de Ulsan e envolvem também renegociações de bônus salariais. As negociações ocorrem desde maio sem sucesso, em especial pelas preocupações dos colaboradores com o uso crescente de inteligência artificial (IA) e a futura adoção de robôs humanoides em fábricas. A Hyundai já afirmou anteriormente que os robôs da marca vão “auxiliar” e não substituir trabalhadores humanos.

Por enquanto, as ações incluem começar e encerrar o turno antes da hora prevista e, caso nenhum consenso seja atingido nesta semana, ampliar as paralisações para até quatro horas por dias nos próximos dias. O sindicato representa mais de 39 mil trabalhadores sul-coreanos na Hyundai.

As demandas incluem a substituição do pagamento por hora de serviço para um salário fixo, além de ampliação na idade máxima de serviço na fábrica de 60 para 65 anos — decisões que, segundo o grupo, seriam uma proteção contra reduções na jornada de trabalho causadas pela automação cada vez mais inevitável.

O trabalho ao lado de robôs humanoides

  • A Hyundai é uma das companhias mais avançadas na implementação de robôs humanoides no ambiente de trabalho por ser dona desde 2021 da Boston Dynamics, fabricante e laboratório de pesquisas em robótica já com um longo histórico no setor;
  • O produto que será implementado é a segunda geração do Atlas, robô bípede com 1,90 metro de altura e capaz de transportar cargas de até 50kg;
  • O robô tem 56 graus de liberdade e juntas que são capazes de girar por completo, além de uma bateria que dura quatro horas. Ele é resistente ao contato com água e poeira (IP67) e pode operar até em temperaturas entre -20ºC e 40ºC;
  • A primeira implementação comercial do Atlas será nos Estados Unidos, em uma fábrica da montadora na Geórgia a partir de 2028 — local que talvez tenha sido escolhido justamente pela ausência de sindicalização.

Como é a fábrica na China de robôs que produzem outros robôs para uso no ambiente de trabalho? Conheça nesta matéria!

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