Uma falha no Muse, agente de inteligência artificial (IA) da Meta, permitia que qualquer pessoa acessasse conversas com o assistente virtual compartilhadas com terceiros, segundo pesquisadores da empresa de segurança cibernética Claroc. O problema, reportado no domingo (18), levou a big tech a suspender temporariamente a funcionalidade.
Os investigadores afirmam ter encontrado cerca de 6.800 links de compartilhamento de bate-papos criados por usuários do agente pessoal recém-lançado que podiam ser abertos mesmo por quem não os recebeu. Eles davam acesso às páginas que armazenavam tais conteúdos e, em teoria, eram difíceis de encontrar por trazerem URLs com longas sequências de texto.
Como as conversas foram acessadas?
De acordo com os especialistas em segurança cibernética responsáveis pela descoberta, o domínio e o padrão dos links gerados pelo Meta Muse eram conhecidos. Todos os endereços incluíam o domínio “cf.metaaiusercontent.com”, o título ou uma descrição do chat e um identificador aleatório.
- O último elemento deveria dificultar a descoberta dos links, porém a inserção de algo que remetesse ao bate-papo se tornou um ponto fraco do recurso, conforme o relatório;
- Com isso, bastava encontrar um endereço válido da conversa e acessar a página correspondente, sem a necessidade de violar contas;
- Para tanto, os pesquisadores utilizaram a consulta a registros de DNS passivo, que armazenam o histórico de resolução de nomes de domínio para endereços IP e outras informações;
- Em uma única consulta, eles encontraram os milhares de links que levavam às interações com o agente de IA.
“O que torna os compartilhamentos do Muse fáceis de encontrar é o título estar contido no endereço da web, onde o DNS público o registra para que qualquer pessoa possa pesquisá-lo. Chamamos isso de ‘Compartilhamentos Fantasma’: páginas que se abrem para pessoas que nunca receberam o link e que essas pessoas podem encontrar por conta própria”, afirmou a Claroc ao site ArsTechnica.
Anotações de preparação para uma reunião confidencial em um laboratório de IA de ponta, relatório interno de desempenho de um investidor e o calendário anual de férias de uma empresa com os nomes dos funcionários foram algumas das informações acessíveis. Os pesquisadores também encontraram parte do número de uma conta bancária e o valor da transação em um alerta de fraude.
Em busca de solução
A Claroc afirma ter alertado a Meta sobre o problema no dia 8 de outubro, utilizando o programa de recompensa de bugs da companhia e mensagens para funcionários da gigante da tecnologia no LinkedIn. No entanto, ela não recebeu respostas em nenhum dos casos.
Posteriormente, a Meta decidiu suspender temporariamente a ferramenta de compartilhamento de conversas com o Muse por meio de links. O recurso foi retirado do ar enquanto ela analisa “alterações na forma como esses links podem ser encontrados”.
Capaz de realizar tarefas em nome do usuário, o Meta Muse alcançou rapidamente o posto de app mais baixado entre usuários do iPhone nos Estados Unidos. Saiba mais detalhes nesta matéria.
Com informações de ArsTechnica e Claroc.