Devil May Cry 5 mostra como é divertido bater em demônios em qualquer lugar no Nintendo Switch 2

Poucos jogos de ação envelheceram tão bem quanto Devil May Cry 5. Lançado originalmente em 2019, o título da Capcom continua sendo uma referência no gênero graças ao combate extremamente refinado, personagens carismáticos e uma campanha que mistura humor, drama e cenas de ação memoráveis.

Recentemente, esse clássico moderno também chegou ao Nintendo Switch 2 na edição Devil Hunter Edition, lançada por R$ 150 e anunciada durante a última Nintendo Direct. Além do jogo base, o pacote inclui Vergil como personagem jogável e diversos conteúdos extras lançados ao longo dos últimos anos.

Como alguém que já zerou o game em outras plataformas, fiquei especialmente curioso para testar essa versão por causa da promessa da Nintendo e da Capcom de entregar uma experiência em 60 quadros por segundo tanto no modo portátil quanto no dock. Afinal, nem todo jogo está conseguindo aproveitar todo o hardware do dispositivo.

Felizmente, a adaptação cumpre o que promete e mostra que destruir hordas de demônios continua tão divertido quanto há seis anos, ainda que alguns cortes gráficos tenham sido necessários para isso.

História continua sendo um dos grandes destaques

Mesmo anos após seu lançamento, Devil May Cry 5 continua entregando uma campanha extremamente divertida. A história reúne Nero, Dante e o misterioso V em uma missão para impedir o avanço do poderoso Urizen, enquanto antigos segredos da família Sparda voltam à tona.

A narrativa consegue equilibrar momentos épicos com muito bom humor, garantindo uma experiência única e cheia de frescor. Os personagens são mestres em “farmar aura”, com diversos momentos capazes de te deixar de boca aberta. 

Mesmo quem chega agora à franquia, também é possível acompanhar a maior parte da trama e se apegar aos personagens. Ainda assim, conhecer os jogos anteriores torna a experiência consideravelmente mais impactante.

A edição para Nintendo Switch 2 ainda inclui Vergil como personagem jogável desde o início através do conteúdo adicional lançado anteriormente. Além de ampliar bastante o fator replay, o personagem possui um dos estilos de combate mais refinados e satisfatórios de toda a franquia, o que garante um pacote completo para quem está pegando o título agora.

Gameplay segue entre os melhores jogos de ação já feitos

Se existe um motivo para Devil May Cry 5 continuar sendo referência no gênero, ele atende pelo nome de gameplay. A Capcom criou um sistema de combate extremamente profundo, mas que também consegue ser acessível para novos jogadores.

Cada protagonista possui um estilo completamente diferente de jogar. Nero aposta nos Devil Breakers, próteses mecânicas que oferecem habilidades variadas, enquanto Dante continua sendo praticamente um arsenal ambulante de armas e estilos de combate.

No entanto, o maior destaque, para mim, é o personagem V. O emo de bengala controla criaturas demoníacas à distância, oferecendo uma experiência totalmente diferente dos demais. Com isso, você comanda os pets do domador de demônios e precisa ficar ligado na hora certa para finalizar os inimigos.

O sistema de progressão também ajuda bastante nesse processo de variedade do gameplay. Conforme a campanha avança, novos golpes e habilidades podem ser adquiridos utilizando as tradicionais Red Orbs, expandindo ainda mais as possibilidades de combos.

Essa variedade faz com que praticamente cada missão apresente algo novo. Mesmo após dezenas de horas, o combate continua recompensando criatividade e domínio das mecânicas, além da busca constante pelas maiores notas de estilo.

Performance impressiona e entrega exatamente o que promete

Enquanto Devil May Cry 5 brilha na história e gameplay, a principal preocupação envolvendo a versão de Switch 2 era justamente seu desempenho. Afinal, games de ação desse tipo dependem diretamente de uma resposta rápida dos comandos e de uma taxa de quadros estável para funcionar da maneira correta.

Felizmente, o Nintendo Switch 2 entrega exatamente isso – tanto na telona quanto na telinha. Durante praticamente toda a campanha, o jogo roda a 60 quadros por segundo no modo portátil ou no dock, oferecendo uma experiência extremamente fluida e consistente.

Na prática, como mostram os testes técnicos do Digital Foundry, o desempenho acaba sendo até superior ao visto nas versões de PlayStation 4 e Xbox One lançadas originalmente em 2019. Os carregamentos também foram reduzidos drasticamente graças ao SSD do console, tornando a progressão muito mais rápida entre fases e checkpoints.

Existe ainda um modo desbloqueado para telas de 120 Hz, mostrando que a Capcom realmente foi longe no port. No entanto, apesar de alcançar taxas entre 80 e 90 quadros por segundo em alguns momentos, a experiência apresente oscilações e pequenos travamentos perceptíveis, tornando o tradicional modo de 60 FPS a melhor opção.

Porém, no geral, a experiência entregue no game é bem satisfatória, mostrando que o console tem poder para enfrentar jogos mais exigentes de uns anos atrás com qualidade.

Visual faz concessões, mas continua bonito

É claro que um notebook gamer de ponta ou um PlayStation 5 ainda entregam uma versão visualmente superior de Devil May Cry 5. Ainda assim, a adaptação para o Switch 2 faz um excelente trabalho ao preservar praticamente toda a identidade artística do jogo.

O título utiliza reconstrução de imagem por IA com o Nvidia DLSS para compensar a resolução interna reduzida. No dock, a resolução interna gira em torno de 540p antes do upscaling, enquanto no portátil ela fica próxima de 360p, sendo reconstruída para 720p.

Alguns serrilhados são perceptíveis durante o gameplay no Switch 2.

Na prática, o resultado surpreende positivamente, mas é possível ver claramente os rastros de otimização. Como nota o Digital Foundry em seu teste técnico, a imagem fica mais limpa do que a apresentada no PlayStation 4 graças ao melhor tratamento de serrilhados, embora naturalmente seja mais suave quando comparada às versões de PlayStation 5 ou PC.

Os cortes gráficos existem e são perceptíveis em alguns momentos do gameplay. Algumas texturas com baixa qualidade e rastros deixados pelo upscaling deixam claro que o jogo está rodando com um visual inferior ao usual de outras plataformas.

Ainda assim, a experiência entregue, no geral, acaba compensando esses defeitos com um gameplay dinâmico e visuais condizentes com a realidade do console da Nintendo.

Jogar no portátil é SSS

Talvez o maior mérito dessa versão seja justamente permitir jogar Devil May Cry 5 em qualquer lugar. O combate continua extremamente responsivo no modo portátil, tornando sessões rápidas durante viagens ou intervalos muito mais agradáveis do que parecia possível alguns anos atrás.

A ergonomia do Nintendo Switch 2 também ajuda bastante durante partidas mais longas. Mesmo sendo um jogo que exige bastante movimentação e reflexos rápidos, os controles respondem muito bem e mantêm a precisão necessária para executar combos mais complexos.

É justamente essa liberdade que faz a versão ganhar tanto valor. Poder alternar entre a televisão e o portátil sem perder desempenho praticamente elimina a necessidade de escolher entre qualidade e mobilidade.

Com isso, mesmo com os sacrifícios técnicos, a versão do Switch 2 ainda está entre as minhas favoritas pelo seu dinamismo. Afinal, ficar na sala com a família assistindo TV (principalmente durante a Copa do Mundo) e descendo a lenha em demônios no modo portátil é uma experiência bem interessante.

Vale a pena jogar Devil May Cry 5 no Nintendo Switch 2?

Mesmo sete anos após seu lançamento original, Devil May Cry 5 continua sendo um dos melhores jogos de ação disponíveis atualmente. Seu combate permanece extremamente moderno, a campanha continua divertida e a enorme variedade de personagens garante um excelente fator replay.

A versão Devil Hunter Edition também faz justiça ao legado do jogo. Apesar das inevitáveis reduções gráficas, o desempenho praticamente impecável em 60 FPS e a possibilidade de levar toda essa experiência para qualquer lugar fazem desta uma excelente adaptação para o hardware da Nintendo.

Para quem nunca jogou, esta é uma ótima porta de entrada para um dos melhores hack and slash da geração passada. Já para veteranos, a praticidade do portátil e a ótima otimização tornam o retorno à luta contra os demônios extremamente tentador.

Pelo preço na casa dos R$ 150, a experiência entregue por Devil May Cry 5 no Switch 2 vale cada centavo. Afinal, se já era divertido bater em demônios antes, levar essa experiência para qualquer lugar no modo portátil é ainda melhor para quem gosta dessa mobilidade.

Nota do Voxel: 90

Pontos positivos (prós):

  • Combate extremamente divertido e diversificado, mesmo após anos do lançamento.
  • Protagonistas com estilos de gameplay completamente diferentes, aumentando a variedade.
  • Desempenho muito sólido em 60 FPS tanto no modo portátil quanto no dock.
  • Tempos de carregamento bastante reduzidos graças ao SSD do Switch 2.
  • Excelente adaptação para o portátil, permitindo jogar em qualquer lugar sem comprometer a fluidez.
  • Ótimo custo-benefício pelo preço de aproximadamente R$ 150.

Pontos negativos

  • Resolução interna baixa perceptível em alguns casos.
  • Algumas texturas apresentam baixa qualidade.

Uma cópia de Devil May Cry 5 Devil Hunter Edition foi cedida pela Capcom para a realização da review no Switch 2. 

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