O futurista Neil Redding defendeu que o modelo que as pessoas trabalham está mudando de maneira sem precedentes por causa da inteligência artificial (IA). De acordo com ela, mais do que a forma com que trabalhamos, os humanos estão transformando a forma que devem enxergar o trabalho.
“À medida que construímos essa relação entre nós e a IA, nós, seres humanos, estamos migrando para um novo papel no trabalho: deixamos de ser principalmente executores — como fomos por milhões de anos — para nos tornarmos, acima de tudo, tomadores de decisão. Esse é um resumo da mudança mais fundamental que estamos vivendo como seres humanos diante dessa tecnologia”, argumentou durante o painel “Orquestre ou Fique para Trás: Liderando na Era da Participação da IA”, que foi realizado nesta quinta-feira (6) no Rio Innovation Week.
Neil Redding, que é near futurist (futurista do agora, em tradução livre), conselheiro de marcas como Apple, Nike e Visa e CEO da Redding Futures, consultoria boutique de inovação, disse que ainda estamos no começo dessa grande mudança. Ele justificou citando uma pesquisa que mostra que mais de 80% das empresas ainda não têm um cargo que leva em consideração as novas capacidades das Ias.
Falando especialmente sobre as IAs agênticas, que agem “sozinhas”, ele defendeu que é preciso aprender a como delegar.
“Eu assumi o compromisso de adotar essa mentalidade de “delegar primeiro, agentes primeiro” em todo o trabalho que fazemos — não apenas na engenharia de software. E muitas outras empresas também assumiram esse compromisso. Quase nenhuma chegou lá ainda, mas, como uma direção a seguir, como uma estrela-guia, essa mentalidade é o que nos permite fazer a transição de executores para tomadores de decisão de forma bem-sucedida”, afirmou.
O que é a “orquestração”?
Apesar dos riscos associados às Ias, Neil Redding defendeu que é importante delegar essas funções porque somente assim poderemos aprender os pontos fortes e fracos dos agentes. Como a tecnologia evolui continuamente a cada nova interação, o potencial da IA é quase infinito.
“Não vamos descobrir isso [os pontos fracos e fortes] se não dermos a eles liberdade suficiente, por meio da delegação, para realmente a IA criar aquilo que queremos. Só então poderemos avaliar os resultados e tomar decisões a partir do que eles nos entregarem”, justificou.
Segundo ele, essa nova fase do mundo do trabalho pode se chamar de “orquestração”. Usando a analogia musical, ele comentou que o maestro não controla cada música individualmente, já que cada um sabe a partitura da canção. O futurista pontuou que na verdade o maestro ajusta o progresso de acordo com as condições que vão mudando.
“É disso que estamos falando quando falamos em orquestração. A liderança deixa de ser emitir planos, porque, com a velocidade das mudanças, os planos ficam ultrapassados quase imediatamente. Liderar passa a significar ajustar continuamente o sistema conforme as capacidades e as circunstâncias evoluem. Você não escreve a música uma única vez e simplesmente insiste nela. Você ajusta o ritmo, o equilíbrio, a velocidade e a intensidade conforme novas condições surgem”, definiu.
O Rio Innovation Week começou na terça-feira (4) no Píer Mauá, no Centro do Rio de Janeiro (RJ). A edição 2026 terá mais de 3 mil palestrantes que falarão sobre assuntos que tangenciam o tema central do evento: “Simbiose: o futuro não acontece isolado”. O evento será realizado até a próxima sexta-feira (7) e o TecMundo estará presente cobrindo os principais painéis sobre tecnologia, inovação e IA.
