Cerca de 5 mil cônjuges e filhos adultos de bilionários devem herdar US$ 6,6 trilhões em patrimônio até 2035, segundo relatório da empresa de inteligência patrimonial Altrata citado pela Fortune. A estimativa faz parte de uma transferência geracional que deve movimentar mais de um terço da riqueza atualmente concentrada entre os bilionários do mundo, cuja fortuna conjunta chega a US$ 15,1 trilhões.
Entre os principais beneficiários estão as mulheres. Embora representem apenas 13% dos bilionários atualmente, mais de 1.235 esposas, o equivalente a 90% das parceiras de bilionários, devem receber uma parcela significativa das fortunas na próxima década.
De acordo com a Altrata, a predominância de homens com mais de 60 anos entre os ultrarricos deve contribuir para reduzir a disparidade de gênero entre os donos de grandes patrimônios. O relatório prevê “maior diversidade” na propriedade e na tomada de decisões.
Geração X concentra parte relevante da sucessão
Os filhos adultos dos bilionários também devem estar entre os maiores beneficiários, especialmente os integrantes da Geração X. Segundo a Altrata, 23% dos herdeiros adultos esperados, que têm em média 48 anos, já trabalham com os pais em negócios da família. “A atenção costuma estar voltada para os jovens herdeiros da Geração Y e da Geração Z, mas a Geração X é, de longe, a mais numerosa na linha de sucessão para herdar de seus pais ricos”, afirma o relatório.
A transferência, no entanto, não deve ocorrer apenas por meio de dinheiro. Os herdeiros poderão receber imóveis, ações de companhias abertas, participações em empresas privadas e carteiras de investimentos. Parte deles também deverá assumir o comando de negócios familiares em setores como indústria, bens de consumo, finanças e varejo. Para a Altrata, a familiaridade maior das gerações mais novas com tecnologia e ativismo pode levar os novos donos das fortunas a priorizar áreas como novas tecnologias, mudanças climáticas e “investimentos de impacto”, potencialmente criando divergências em relação às escolhas das gerações anteriores.
Além da sucessão familiar, a Altrata afirma que fatores como tensões geopolíticas, mudanças ambientais, transformação tecnológica e o avanço da inteligência artificial (IA) devem influenciar a forma como as grandes fortunas serão administradas. “Essa transferência substancial de riqueza familiar está prestes a ocorrer em um mundo de crescente complexidade, geopolítica tensa e grandes mudanças ambientais e tecnológicas”, afirma o relatório. Segundo a empresa, um cenário global mais imprevisível deve tornar mais complexas as estratégias de planejamento sucessório e preservação de patrimônio.
A transferência também deve alcançar outros grupos, como irmãos e netos dos bilionários, além de organizações ligadas à filantropia, incluindo entidades sem fins lucrativos e instituições de ensino. Para a Altrata, a mudança de mãos de trilhões de dólares poderá alterar não apenas quem controla as fortunas, mas também como esse patrimônio será investido, utilizado e direcionado para negócios e iniciativas filantrópicas. O relatório afirma ainda que a volatilidade do cenário global pode criar novas oportunidades para investimentos, negócios e filantropia.

