A Sony pegou muitos jogadores de surpresa ao anunciar, nesta semana, que vai
As pessoas não colecionam caixas vazias, elas colecionam jogos, diz loja de games físicos Gamer Hut

Mesmo com a Gamer Hut sendo referência na América Latina na venda de mídia física, Ricardo disse que a empresa não foi consultada em nenhum momento sobre a mudança da Sony, que pode impactar diretamente no seu negócio. “Eu conversei com várias pessoas e ninguém foi perguntado sobre o assunto. A empresa meio que fala: ‘eu sei o que é melhor para você e o seu mercado, azar o seu’”.
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Propriedade digital continua sendo um dos maiores debates
Outro ponto levantado pela Gamer Hut envolve a diferença entre possuir um disco e adquirir uma licença digital de uso. Para a empresa, a ausência do disco elimina direitos que historicamente fizeram parte do mercado de consoles, como emprestar, vender ou doar um jogo após sua utilização.
“Não é uma sensação de perda de propriedade. É um fato. Se você não pode dispor daquele produto da forma que quiser, ele simplesmente não é seu”, ressalta Vieira. Essa discussão vem ganhando força nos últimos anos à medida que plataformas digitais reforçam que o consumidor adquire apenas uma licença para acessar determinado conteúdo, sujeita às regras estabelecidas pelas lojas virtuais.

Com a adoção do formato Code in Box, a expectativa do lojista é que a experiência fique cada vez mais limitada para os consumidores. “O público não aceita muito bem porque não enxerga uma lógica em você comprar um jogo físico que inclui só um código”.
Segundo a empresa, o problema não está apenas na ausência do disco, mas também na expectativa criada pela própria embalagem. “Para quem compra em loja física, abrir a caixa e encontrar apenas um código gera frustração”, ressalta o representante.
Loja aponta desafios para o Código de Defesa do Consumidor
Outro ponto levantado pela Gamer Hut envolve possíveis conflitos entre o modelo Code in Box e a legislação brasileira de proteção ao consumidor. Segundo Vieira, o fato de a Sony vender uma versão mais cara do PS5 com leitor de disco atualmente pode render problemas para a companhia após a migração para o modelo digital.
Na avaliação da empresa, a falta de informações claras sobre instalação, armazenamento necessário e limitações do produto pode gerar um aumento significativo nas devoluções. “A propaganda precisa ser muito clara. Se o consumidor compra imaginando uma mídia física tradicional e recebe apenas um código, isso pode induzir ao erro.”
Segundo dados compartilhados pela loja, produtos vendidos em Code in Box apresentam índice de devolução muito superior ao observado em jogos com disco. “Nossa experiência mostra devoluções próximas de 30%. Em jogos físicos tradicionais esse número não chega nem perto de 1%.”
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Consumidores ainda querem mídia física
Para justificar a mudança de formato, a Sony informou que aproximadamente 80% das vendas de jogos completos já acontecem em formato digital. A Gamer Hut, porém, argumenta que esse percentual não representa necessariamente o comportamento de compra quando existe igualdade de oferta entre as duas versões.
Segundo a loja, parte significativa das vendas digitais corresponde a jogos que nunca receberam edição física ou clássicos comercializados exclusivamente pela PlayStation Store. “Quando existe a opção entre comprar físico ou digital, eu tenho certeza de que muita gente escolhe o disco. A própria Gamer Hut cresce vendendo exclusivamente mídia física.”

O lojista também destaca que um único disco costuma circular entre vários jogadores ao longo dos anos, passando por empréstimos e revendas, algo impossível no modelo digital. “Na mídia física, um jogo atinge muito mais que apenas uma pessoa.”
“Na mídia física, um jogo atinge muito mais que apenas uma pessoa.”
O responsável pela empresa ainda ressalta que o domínio da mídia digital, em parte, vem da ausência de distribuição de discos físicos. Apesar do crescimento expressivo das vendas digitais, a Gamer Hut acredita que ainda é cedo para tratar a mídia física como um mercado de nicho semelhante ao dos discos de vinil.
Segundo a empresa, basta observar a reação dos jogadores após o anúncio da Sony para perceber o vínculo emocional existente com as coleções. “Existem muitas variáveis, e uma delas é a incompetência na distribuição de mídia física mundialmente”, ressalta Vieira.
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A Sony vai voltar atrás na decisão?
A Gamer Hut deixou claro que a decisão da Sony parece equivocada e acredita que a empresa pode voltar atrás com a repercussão negativa do assunto. Além dos protestos do público, outras empresas criaram uma trend nas redes sociais zoando o comportamento da PlayStation.
“Depois do anúncio, muita gente começou a publicar fotos das próprias coleções. Isso mostra que existe um apego enorme. O jogador gosta da experiência de comprar, abrir o jogo e colocar o disco no videogame”, conta Vieira.
Na visão do lojista, boa parte dessa relação vem da própria história dos consoles domésticos. “A geração que cresceu com Atari, Mega Drive, Super Nintendo, PlayStation e tantos outros ainda valoriza essa experiência. Ela faz parte da cultura do videogame.”
“A empresa está deixando de lado quem fez ela ser gigante, e isso é, no mínimo, decepcionante.”
Por outro lado, a Sony não deu sinais de que pode fazer alterações em sua estratégia até o momento. A companhia, no entanto, já teria iniciado mudanças em sua maior fábrica de discos, na Áustria, com uma reestruturação em andamento.
Com isso em mente, o que temos até agora são protestos e descontentamento de parte do público e de lojistas. E, para a Gamer Hut, tudo isso mostra que a Sony esqueceu de quem estava com a empresa desde seus primórdios.
“A PlayStation precisa olhar para quem fez a marca crescer para o tamanho que é hoje”, diz o representante da Gamer Hut. “A empresa está deixando de lado quem fez ela ser gigante, e isso é, no mínimo, decepcionante.”