Apple quer autorização de Trump para usar memórias de fabricantes chineses

A Apple pediu autorização ao governo dos Estados Unidos para comprar chips de memória RAM da ChangXin Memory Technologies (CXMT), sediada na China e que faz parte de uma lista de lista de empresas restritas, em meio à procura por alternativas para lidar com a alta de preços dos semicondutores. A informação foi revelada pelo Financial Times na última sexta-feira (26).

Conforme fontes entrevistadas pelo jornal, a gigante de Cupertino começou a pressionar o Departamento de Comércio dos EUA para liberar o negócio há cerca de um mês, operação que também envolveu outros funcionários do governo e aliados da empresa na Casa Branca. Procurada, a big tech não se pronunciou sobre o assunto.

Riscos à reputação

Embora não tenha impedimentos legais, a compra de chips da CXMT pela Apple sem a “benção” da Casa Branca pode resultar em riscos à reputação da dona do iPhone, como destaca o The Verge. Isso tem relação com a classificação dada à fornecedora chinesa pelo governo americano.

  • Ainda na administração de Joe Biden, a fabricante de semicondutores foi designada como empresa associada às Forças Armadas da China, entrando em uma lista de restrições;
  • Por supostamente colocar em risco a segurança nacional, a CXMT pode sofrer controles de exportação extremamente rigorosos;
  • Negócios entre empresas americanas e marcas que fazem parte dessa lista de bloqueio, incluindo o envio de mercadorias, software e tecnologia, necessitam de uma licença concedida pelo governo;
  • Mesmo com a pressão feita pela Apple e a aproximação entre o CEO, Tim Cook, e Donald Trump, não está claro se a gigante da tecnologia obterá a autorização.
Não se sabe se Trump autorizará a Apple a comprar chips da CXMT. (Imagem: Win McNamee/Getty Images)

“Ajudar o [Partido Comunista Chinês] a ter sucesso em seus planos de dominar cadeias de suprimentos críticas tornará a indústria de tecnologia e a economia do nosso país mais dependentes da China em um momento em que precisamos construir cadeias de suprimentos de tecnologia seguras com nossos aliados”, afirmou o membro da Câmara dos Representantes, John Moolenaar.

Segundo o congressista, que lidera um comitê contrário aos negócios com empresas chinesas e falou ao Financial Times, associar-se a uma marca que teria ligações com a administração de Pequim é um “grande erro”. Procuradas, Apple, CXMT e a Casa Branca não comentaram a possibilidade.

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