Um dia depois de adicionar um polêmico código oculto de reconhecimento de rostos e pessoas em um aplicativo para óculos inteligentes, a Meta mudou de ideia. Nesta segunda-feira (8), ela voltou a atualizar a plataforma e removeu essas menções.
O caso foi denunciado inicialmente pela Wired, que detectou a presença de um mecanismo conhecido como “NameTag“. Em resposta ao veículo de imprensa, a Meta criticou a reportagem original, além de alegar que nenhuma decisão sobre o tema foi tomada até o momento.
- Usado como acompanhante de aparelhos vestíveis da empresa feitos por Ray-Ban e Oakley, ele transformaria rostos registrados pelas câmeras dos óculos inteligentes em assinaturas biométricas únicas, permitindo a identificação;
- O código encontrado pela Wired incluía o software em si, códigos que faziam o processo de reconhecimento e um alerta que o aplicativo mandaria em forma de notificação para um caso positivo. Praticamente tudo relacionado a ele foi removido na mais recente atualização;
- A existência do recurso como um projeto interno foi noticiado há alguns meses pelo The New York Times, mas sem qualquer confirmação da existência ou implementação. Porém, isso já foi o suficiente para que especialistas e ativistas pedissem que a plataforma fosse descontinuada ao listarem riscos de assédio, perseguição e vigilância.
O que diz a Meta
O porta-voz da Meta, Andy Stone, criticou a reportagem da Wired por demorar a dizer no texto que o recurso não estava habilitado, seria apenas algo exploratório e sem planos para um lançamento efetivo.
“Nenhuma decisão final foi tomada sobre o que fazer, se é que algo será feito“, disse Stone. No X (Twitter), o chefe de tecnologia da empresa, Andrew Bosworth, chamou a reportagem de “extremamente enganosa” e “desonesta“.
incredibly misleading from Wired, sadly we are coming to expect that from them more and more. Absolutely dishonest.
— Boz (@boztank) June 4, 2026
Já a Wired diz que enviou dez perguntas para a Meta pedindo detalhes sobre o código encontrado, incluindo informações sobre uma eventual base de dados de rostos, como o app guardava fotografias e se esses conteúdos ficariam armazenados em algum servidor da empresa.
A Meta não respondeu os questionamentos, além de não confirmar se o sistema, caso lançado, teria algum mecanismo de permissão de participação por parte do usuário e também de quem fosse eventualmente filmado pelos óculos.
Quais os direitos de quem é filmado sem autorização por óculos inteligentes? Confira aqui a opinião de advogados sobre o tema!