Mais de 35 mil brasileiros estão em grupos neonazistas no Telegram

Miscigenado, com culturas diversas e uma abrangência de etnias diferentes, o Brasil poderia ser um daqueles países que ninguém jamais associaria ao nazifascismo. Contudo, a realidade é outra, e um novo levantamento destaca que mais de 35 mil usuários brasileiros estão em grupos nazistas no Telegram.

Quem explica esse número é o pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ergon Cugler, por meio de uma reportagem ao The Intercept Brasil. O especialista mapeou a existência de comunidades abertas na rede social de mensagens, que se destaca pelos seus grandiosos canais com conteúdos diversos.

  • Confira:

Chamado de funil de radicalização, o Telegram transforma esse teor nazista em um produto lucrativo e passa a recomendar canais relacionados. Quem já estava propenso a consumir esses conteúdos fica mais próximo de uma teia de materiais semelhantes.

Um celular com o aplicativo do Telegram aberto na tela de um perfil, exibindo a logo da companhia.
Na visão do pesquisador, o Telegram atua como um catalisador dos conteúdos neonazistas (Imagem: GettyImages)

“As recomendações de canais são baseadas somente no tópico geral de canais que você já segue”, aponta Cugler. Quem assina o Telegram Premium, de R$ 15,90, recebe ainda mais sugestões de canais relacionados, e como aponta o pesquisador, faz com que a plataforma lucre diretamente com a exposição de conteúdos nazistas.

Uma parte interessante da análise dessa pesquisa aponta que o auge dessas comunidades ocorreu durante o período da pandemia da COVID-19, especialmente em 2021. Apesar de uma desaceleração, esses grupos neonazistas são bem estruturados e não dependem necessariamente de muita frequência para se manter.

Como o Telegram lidará com o neonazismo?

Essa não é a primeira vez que o Telegram tem seu nome envolvido em polêmicas a respeito de grupos neonazistas. Em 2022, o próprio Intercept revelou que grupos antivacina na rede social serviam como um tipo de incubadora para conteúdos nazistas.

Em um monitoramento realizado pela antropóloga Adriana Dias, o número de células neonazistas subiu de 72 para 1.171 entre 2015 e 2022. Uma boa parte desse conteúdo surgiu entre outubro de 2021 e novembro de 2022.

Com os projetos de regulamentação das redes sociais pelo Governo Federal, o Telegram e outras redes sociais coniventes com a disseminação de conteúdos como esse podem arrumar grandes problemas. Há alguns dias, o presidente Lula revelou que o Governo enviará ao Congresso um projeto de lei para regulamentar big techs e redes sociais no Brasil.

Além do conteúdo neonazista, o Telegram é conhecido por ser bastante utilizado entre criminosos para fraude, tráfico de drogas, exposição de malwares para hackers, redes de pedofilia, etc. O próprio CEO da plataforma, Pavel Durov, chegou a ser preso na França em 2024, e a rede é conhecida por sua cooperação mais áspera com autoridades.

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