O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022, marcou uma mudança significativa no campo de batalha. Caças e outras aeronaves tradicionais perderam espaço para um tipo de arma muito mais barata e que se mostrou eficiente: os drones kamikaze.
A tendência se confirmou nas ofensivas conjuntas entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, com a utilização do drone “LUCAS” pelos dois países parceiros. Adição mais recente das Forças Armadas americanas, o equipamento é um clone do Shahed-136 desenvolvido no território iraniano.
O que são drones “kamikaze”/drones suicidas?
Também conhecidos como drones suicidas, os modelos kamikazes são um Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) que se lança contra o alvo assim que o identifica. Ele é a própria arma usada para abater o inimigo e se destrói ao atingi-lo – vem daí o termo “suicida”.
Integrando uma categoria chamada de “munições guiadas de precisão”, foram inspirados nos pilotos japoneses que lançavam seus caças contra navios inimigos durante a
Com 2,4 m de envergadura e formato triangular, o drone LUCAS carrega até 18 kg de explosivos e tem alcance de 800 km, além de ser compatível com diferentes tipos de lançadores. Ele usa IA para tomar decisões por conta própria, pode voar em enxames e se conectar a satélites avançados.
Por sua vez, o Shahed-136 é um projeto aparentemente inspirado no IAI Harpy, drone suicida desenvolvido por Israel na década de 1980. Maior que o “clone” americano, tem 2,5 m de envergadura, pesa cerca de 200 kg e carrega bombas de até 45 kg, com alcance estimado em mais de 2.000 km. Ele é lançado de rampas, usa GPS e IA.
Por que esses drones são usados em guerras
O uso de drones em guerras modernas se tornou tendência devido a variados fatores, como a facilidade de escapar de bloqueio de sinal ou interferência eletrônica. O novo drone kamikaze dos EUA se conecta a redes de satélites para seguir voo normalmente, evitando as armas tecnológicas inimigas.
Eles também se destacam pela possibilidade de participar de operações de vigilância e reconhecimento, ajudando a identificar a movimentação das tropas adversárias em tempo real. Outra vantagem é o baixo risco operacional, assumindo missões que colocariam pilotos em risco.
Ataque aéreo com drones lançados contra alvos é uma das principais estratégias em uso nos conflitos recentes. (Imagem: Olena Bartienieva/Getty Images)
Custo baixo e eficiência
Há, ainda, pelo menos mais duas grandes vantagens da tecnologia. Uma é o custo reduzido, como comentado anteriormente, fazendo os drones suicidas funcionarem como mísseis de cruzeiro “baratos”, embora não os substituam por completo, permitindo produzir enormes quantidades sem gastos exagerados.
A alta precisão é outro fator, resultando em ataques aéreos eficientes, capazes de causar danos significativos. Um exemplo foi a operação “Teia de Aranha” da Ucrânia, realizada em junho de 2025, que destruiu mais de 40 aeronaves russas de grande porte, como os bombardeiros Tu-22 e Tu-95.
Desafios éticos e regulatórios desses drones
Como muitos drones kamikaze são autônomos, o uso crescente vem acompanhado de preocupações relacionadas à ética na guerra. Especialistas e entidades debatem sobre a responsabilização em erros cometidos pelos equipamentos, tentando entender de quem seria a culpa caso uma aeronave com IA atingisse civis.
Também há questionamentos sobre até que ponto é válido deixar sistemas inteligentes decidirem por conta própria sobre ataques que podem resultar em mortes. Assim como os bots convencionais, as IAs usadas no contexto militar também estão sujeitas a erros.
Falando nisso, você sabe o que são as armas autônomas? Continue no TecMundo e confira mais detalhes sobre esse tipo de tecnologia e as tentativas de regulação pela ONU.