Influenciador Hytalo Santos é condenado por exploração de menores; defesa vai recorrer

O influenciador Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão por exploração sexual de menores na internet, conforme sentença do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) divulgada no domingo (22). A defesa vai recorrer da decisão.

Ele foi preso preventivamente em agosto do ano passado após denúncia do influenciador Felca sobre perfis que promoviam conteúdos pornográficos envolvendo adolescentes. O marido de Hytalo, Israel Vicente, também detido, foi condenado pelo mesmo crime, com pena de 8 anos e 10 meses.

Adultização de menores

Na sentença, o juiz Antônio Rudimacy Firmino de Souza alega que Hytalo expunha crianças e adolescentes de maneira sexualizada nas redes sociais. Os menores participavam de ambientes artificiais e controlados.

  • Em tais conteúdos, eles eram inseridos em situações de contexto adulto e consideradas de alto risco, como aponta o texto;
  • Também havia o fornecimento de bebidas alcoólicas para os participantes e negligência em relação à alimentação e escolaridade deles;
  • Ainda conforme Souza, a exploração feita pelo produtor de conteúdo está ligada à vulnerabilidade socioeconômica;
  • O magistrado diz que as vítimas não possuíam condições de compreender nem resistir às práticas criminosas dos condenados.
A justiça condenou Hytalo Santos à prisão pelos conteúdos com menores produzidos por ele. (Imagem: Halfpoint/Getty Images)

Além da prisão, a justiça da Paraíba determinou o pagamento de indenização de R$ 500 mil por danos morais. O valor leva em consideração a capacidade econômica dos réus e a extensão dos danos causados por eles.

Também foi mantida a prisão preventiva dos condenados, com a sentença apontando a inexistência de mudanças nos fundamentos que deram origem à cautelar. O TJPB deve retomar o julgamento de um habeas corpus favorável à dupla a partir desta terça-feira (24).

“Racismo e homofobia”

Apontada pela justiça como uma das vítimas das práticas ilícitas do produtor de conteúdo, a influenciadora Kamylinha afirmou que a condenação do casal deve ser tratada como racismo e homofobia. Ela é filha adotiva de Hytalo.

“Fiquei muito abalada quando vi isso, porque sei de toda a dor e sofrimento que uma pessoa negra e gay sofre no Brasil, mas sei que a justiça não fechará os olhos para isso”, escreveu Kamylinha, em seu perfil no Instagram.

A postagem traz o vídeo de um dos advogados do casal afirmando que irá recorrer da decisão. A defesa diz que os argumentos das testemunhas do caso, relatando não haver produção de conteúdo adulto nem exploração, não foram considerados.

Hytalo e Israel enfrentam, ainda, um processo na Justiça do Trabalho por tráfico de pessoas para exploração sexual. A ação também inclui denúncia por trabalho em condições análogas à escravidão.

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