Hacker que roubou milhões é condenado a 10 anos e multa de R$ 70 milhões

King Bob, Gustavo Fring, Elijah e Sosa eram alguns dos apelidos de Noah Michael Urban, quando ainda era uma figura ativa no submundo do crime cibernético. Na última quarta-feira (20), Urban foi condenado a dez anos de prisão e sentenciado a pagar quase US$ 13 milhões de R$ 13 milhões (R$ 70 milhões). O motivo? Ele roubou milhares de dólares em criptomoedas como um dos cabeças do grupo Scattered Spider.

Noah, de 20 anos, foi preso pelas autoridades em janeiro de 2024 e acusado em novembro de integrar o grupo hacker. Em abril deste ano, o criminoso se declarou culpado de crimes como fraude eletrônica, conspiração e roubo de identidade qualificado. A promotoria solicitou uma pena de somente oito anos, mas o juiz responsável pelo caso optou pelos dez anos de prisão.

  • Entenda o caso:

O estrago já está feito, e o Scattered Spider começa a etapa de extorsão, exigindo um resgate para o fornecimento de uma chave de descriptografia. Caso essa primeira tentativa não seja bem sucedida, os criminosos ameaçam vazar as informações na dark web, ou até mesmo ameaçar um ataque DDoS contra a empresa.

Além do Black Cat, é reportado que o grupo golpista também já se uniu a operações ransomware como Qilin, RansomHub e DragonForce, expoentes no cenário de roubo de dados.

  • Os criminosos usam phishing para fisgar e roubar credenciais de usuários para invadir a rede de uma empresa;
  • Dentro do sistema, é feito um reconhecimento de dados importantes, como informações de clientes, relatórios financeiros, etc;
  • Após escolher os arquivos desejados, é feita a extração desses dados;
  • O ransomware Black Cat é usado para criptografar esses dados, impossibilitando o acesso;
  • A última etapa é da extorsão, quando os criminosos exigem um resgate, e chega ameaçar liberar o conteúdo na dark web ou promover ataques DDoS.

Peixe grande, ou peixe pequeno?

Com uma sentença já emitida, Noah Michael Urban teria sido um dos principais responsáveis pelo ataque ao MGM Resorts e a Caesars Entertainment, que atua no mesmo segmento.

Urban tinha um golpe em especial na sua teia de armações. O atacante usava o método de SIM-swapping, que consiste no fraudador transferir o número de telefone do seu chip SIM para o dele. Nesse processo, o chip original deixa de funcionar, mas o hacker recebe todas as informações da vítima, como ligações e SMS.

Com isso em mente, o criminoso pode descobrir seus dados e começar um ataque de phishing coordenado até por meio de mensagens via email. Lá, a situação é a mesma, a vítima clica em um link falso, insere seus dados e o atacante passa a ter informações sigilosas.

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Após sua condenação, Urban ironizou a medida em publicações no X (Imagem: internet)

Como muitos serviços de login, como o próprio Google, usam autenticação de dois fatores em que um código via SMS para confirmar aquela tentativa de entrada. Como é o hacker quem possui acesso ao SMS, ele está livre para conectar em suas contas e garimpar o que vai sequestrar da vítima.

O jornalista Brian Krebs conseguiu contatar Urban por meio da rede social X depois da sentença. Na conversa, o criminoso explicou que sua condenação foi injusta porque não considerou sua idade como fator atenuante no caso. O motivo é que o próprio juiz teria sido hackeado pelo grupo durante o caso.

Aliás, em julho e dezembro de 2024 as autoridades prenderam outros dois integrantes do Scattered Spider. O primeiro era um adolescente de 17 anos com suposto envolvimento no ataque ao MGM Resorts, enquanto o segundo, de 19 anos, era conhecido como “remi” e foi acusado pelos EUA de violar uma instituição financeira do país e duas outras do segmento de telecomunicações ainda não identificadas.

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