ChatGPT do Brasil: conheça algumas IAs nacionais e como elas funcionam

O atual boom no setor de inteligência artificial (IA) é recente, mas algumas plataformas já se estabeleceram nesse mercado. É o caso do ChatGPT, o Claude e a Meta AI para usos variados, ou o Gemini e o Copilot embutidos em serviços de Google e Microsoft, respectivamente.

Grande parte desses gigantes, porém, nasceu e opera nos Estados Unidos — com raras exceções que furam a bolha do mercado, como a chinesa DeepSeek, que também já recuou em popularidade após um estouro inicial. Mas onde o Brasil se encaixa nesse setor tão disputado e dinâmico?

O brasileiro está entre as pessoas que mais usam IAs generativas diariamente em todo o mundo, mas esses acessos são justamente nos serviços mais populares globalmente. O desenvolvimento de serviços nacionais é mais raro e os exemplos são poucos conhecidos, mas eles existem.

O TecMundo reuniu algumas IAs de origem nacional abaixo, listando apenas as que contam também com estrutura e base de dados próprias, para contar a origem de cada uma delas e o papel desse tipo de tecnologia na soberania de um país.

Amazônia IA

A Amazônia IA carrega até no nome o histórico de plataforma feita em solo nacional. Lançada em abril de 2025, ela é desenvolvida pela empresa brasileira WideLabs em parceria com a Oracle e a Nvidia, mas com código 100% feito por brasileiros.

Essa foi a primeira companhia a ter um grande modelo de linguagem (LLM) brasileiro, ainda em agosto de 2024, e treinou o serviço para ter um vasto conhecimento em cultura brasileira, dados, informações e referências nacionais. Segundo os responsáveis, o serviço usa energia limpa e renovável para operar, tem Infraestrutura local e “respeito às legislações vigentes no país e com respeito aos dados e privacidade dos seus usuários”.

Na prática, a Amazônia IA em forma de chatbot pode ser usada na área jurídica, educação, cultura, saúde, segurança e vendas. No começo de 2025, ela apresentou outros modelos com capacidades como transcrever áudios em português brasileiro e entender textos e imagens, além de uma versão compacta e de menor custo.

O acesso ao chatbot da Amazônia IA é gratuito e

Uma publicação compartilhada por Tribunal de Contas do Estado de Goiás (@tcegoias)

O serviço poderá ser usado em geração de textos e tarefas que envolvam conversação (como resumo, responder perguntas e criar conteúdos em diferentes formatos). Nos experimentos, ela apresentou até 30% mais desempenho em tarefas realizadas no idioma quando comparado a versões equivalentes do ChatGPT.

Até o momento, o Gaia ainda não conta com uma interface pública, mas tem o código disponível no repositório Hugging Face para que desenvolvedores integrem a IA em outros ambientes. Além disso, o Tribunal de Contas do Estado já usa ela em caráter experimental, inclusive para análise automatizada de editais de prefeituras.

Qual a situação do mercado brasileiro de IAs?

Pelos exemplos listados acima, é possível notar que o Brasil ainda não é um polo de desenvolvimento no campo de IA, em especial pela complexidade envolvida nesse tipo de projeto. Porém, temos alguns projetos de bastante potencial no setor.

Além disso, há alguns padrões nas IAs que são criadas e treinadas a partir de conteúdos nacionais: elas tendem a se apresentar como mais indicadas para conversas e comandos em português do Brasil e tendem a nascer a partir de parcerias ou projetos de universidades.

O uso de IAs no setor público ainda é limitado, mas o potencial parece alto. O próprio governo brasileiro já sugeriu que poderia investir em uma IA nacional, seja para oferecer mais alternativas à população ou para reforçar a soberania no uso de tecnologias como chatbots. Além disso, a regulamentação do setor segue em trâmite no Legislativo.

Este é um artigo em constante atualização e pode receber adições de novos exemplos na medida em que eles forem anunciados ou apresentados ao TecMundo.

Quer se informar sobre as principais novidades do campo da IA? Fique ligado na seção especial sobre o tema no site do TecMundo!

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