A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou em janeiro a retirada definitiva dos orelhões em todo o Brasil, marcando o fim da era dos telefones públicos utilizados em décadas passadas. O processo deve durar até 2028, quando os últimos aparelhos serão removidos.
Mesmo perdendo espaço para os celulares e outros meios de comunicação, o clássico telefone que funcionava por meio de fichas e cartões ainda existe aos milhares no território nacional. Dados do órgão dão conta de que cerca de 38 mil unidades permanecem instaladas, embora nem todas funcionem.
Por que os orelhões estão sendo retirados?
Além da substituição pelos smartphones, há outro motivo para o fim dos orelhões. Trata-se do término das concessões do serviço de telefonia fixa das empresas responsáveis pela manutenção desses equipamentos, o que aconteceu em dezembro do ano passado.
- Dessa forma, as operadoras Oi, Telefonica, Claro, Algar e Sercomtel não têm mais a obrigatoriedade de manter a infraestrutura dos telefones públicos;
- Os contratos com as concessionárias foram firmados em 1998 e passaram por mudanças ao longo do tempo, para se adaptar à nova realidade do mercado;
- No modelo adotado, que seguia o formato de autorização, havia a previsão de extinção gradual dos orelhões, em contrapartida às melhorias no serviço de telefonia;
- As mudanças também foram influenciadas pela crise financeira da Oi, que tem processo de falência em aberto.
Lançado no Brasil em 1972, o serviço de telefonia pública usava aparelhos criados pela arquiteta chinesa Chu Ming. O país chegou a ter mais de 1,5 milhão de terminais em funcionamento, no auge, que acabaram substituídos pelos celulares, deixando de fazer parte da rotina dos usuários.
Dos quase 38 mil aparelhos que restam, cerca de 33 mil funcionam, permitindo fazer ligações como antigamente, segundo a agência reguladora, e os demais passam por manutenção. É possível conferir os locais que ainda têm orelhões no site da Anatel.
Cidades com cobertura deficitária manterão o serviço
Apesar da intensificação da remoção dos telefones públicos em 2026, algumas cidades terão o serviço até 31 de dezembro de 2028. O contrato com as prestadoras prevê a manutenção dos aparelhos em locais com sinal ruim da telefonia celular, dificultando a conexão às redes 4G, pelo menos.
Por causa disso, estima-se que cerca de 9 mil orelhões funcionarão até 2028. Nos locais onde eles continuarem disponíveis, as prestadoras deverão realizar melhorias na infraestrutura de telecomunicações, possibilitando a aposentadoria definitiva da antiga rede.
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