Quase nove em cada dez empresas já usam inteligência artificial (IA) regularmente em pelo menos uma área do negócio, mas a tecnologia ainda não se converteu em ganhos significativos de lucro para a maior parte delas. Os dados são de uma pesquisa da consultoria McKinsey com 1.719 profissionais e líderes empresariais de diferentes países, publicada no mês passado.
Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados afirmam que a IA aumentou sua produtividade individual, enquanto metade diz que a tecnologia contribui para decisões melhores. Apesar disso, apenas 37% relatam impacto significativo da IA sobre o lucro antes de juros e impostos (EBIT), mesmo percentual registrado na pesquisa anterior. Ao mesmo tempo, 44% afirmam que suas empresas estão ampliando o uso da tecnologia para diferentes áreas da organização.
A pesquisa indica que o principal diferencial entre as empresas que conseguem obter retorno financeiro com IA não está apenas na adoção da tecnologia, mas na mudança da maneira como o trabalho é realizado. As chamadas “empresas de alto desempenho em IA”, que representam 6% das organizações pesquisadas e atribuem pelo menos 5% do EBIT à tecnologia, são mais propensas a redesenhar fluxos de trabalho do que simplesmente incorporar IA a processos já existentes. Quase três quartos delas fizeram mudanças fundamentais nesses fluxos, ante 55% no ano anterior, segundo a McKinsey.
Empresas que redesenham processos obtêm melhores resultados
O investimento também vem aumentando. Para 28% dos entrevistados, a IA já representa mais de 10% do orçamento de tecnologia da informação, enquanto 60% esperam elevar os gastos com a tecnologia no próximo ano. Em contrapartida, 20% afirmam que os custos operacionais relacionados à IA, incluindo despesas com tokens, já limitam sua expansão. As grandes empresas também avançam mais rapidamente: 54% das companhias com receita superior a US$ 1 bilhão dizem ter levado a IA para toda a organização, contra cerca de um terço das menores.
Os dados da McKinsey indicam que o próximo desafio para executivos financeiros não será apenas decidir quanto gastar com IA, mas como reorganizar as operações para que o investimento produza retorno. Nas grandes empresas, a parcela que ampliou o uso de agentes de IA em pelo menos uma função passou de 27% para 40% em um ano, enquanto permaneceu em 22% entre companhias menores. A conclusão apontada pela reportagem é que o orçamento de IA tende a ser, cada vez mais, também um orçamento para redesenhar fluxos de trabalho.

