Arquivos com informações internas de mais de 3,6 milhões de funcionários de corporações globais foram colocados à venda em fóruns de cibercrime. As publicações começaram em 31 de julho e continuaram até a metade deste mês, anunciadas por um usuário que adota o codinome “TheHatman”. O criminoso afirma ter baixado as listas diretamente do Microsoft Azure por meio de credenciais corporativas que foram comprometidas.
A lista de organizações citadas reúne empresas do setor de alimentação, tecnologia, telecomunicações, hotelaria e varejo. O maior volume de dados pertence ao McDonald’s, com cerca de 1,7 milhão de cadastros expostos. A relação também inclui a multinacional indiana de serviços de tecnologia Tata Consultancy Services (TCS), a operadora Vodafone, a prestadora de infraestrutura de TI Kyndryl e redes hoteleiras como InterContinental Hotels Group (IHG) e Wyndham Hotels.
Os arquivos supostamente foram extraídos da plataforma de nuvem da Microsoft, usada por grandes organizações para gerenciar usuários e acessos internos. Entre as informações comercializadas estão nomes completos, números de identificação funcional, cargos, endereços de e-mail corporativo, telefones e endereços postais. O material também traz dados sobre a estrutura hierárquica das companhias, com nomes de gestores diretos, contas técnicas do sistema e a lista de administradores globais.
O que dizem as empresas citadas
Apesar do anúncio do cibercriminoso, as companhias que se manifestaram descartaram falhas de segurança recentes em suas estruturas internas e minimizaram o impacto dos dados expostos.
Em comunicado oficial enviado à Bolsa de Valores da Índia em agosto, a TCS declarou que realizou uma apuração interna logo após a divulgação do caso.
“A companhia investigou o suposto vazamento e não encontrou evidências críveis de violação dos sistemas da TCS ou dos ambientes de clientes. O invasor alega ter usado técnicas de ataque contra as quais mantemos salvaguardas sólidas e eficazes há mais de dois anos. Os detalhes parecem ter ao menos quatro anos e incluem apenas dados básicos de funcionários”, informou a TCS, em documento ao mercado financeiro.
A varejista Gap Inc., com cerca de 80 mil registros associados ao seu nome nos anúncios, adotou posição semelhante em resposta ao portal BleepingComputer.

“Nossa investigação preliminar indica que os dados em questão possuem escopo limitado, não têm caráter sensível e datam de vários anos atrás. Notadamente, não há evidências que sugiram que nossos sistemas corporativos tenham sido comprometidos”, afirmou o porta-voz da Gap.
Outras empresas listadas no lote, como McDonald’s, Vodafone e as redes de hotéis, não haviam respondido aos pedidos de esclarecimento enviados por veículos internacionais de cibersegurança até a publicação das análises iniciais.
Origem dos acessos e riscos operacionais

Em análise técnica divulgada no último domingo (16), a empresa de inteligência em cibersegurança Hudson Rock examinou as amostras disponibilizadas pelo vendedor e confirmou a autenticidade da estrutura dos cadastros. Os pesquisadores concluíram que o episódio decorreu do roubo pontual de senhas por programas maliciosos instalados em computadores individuais de funcionários. De acordo com a consultoria, “caso se tratasse de uma vulnerabilidade ampla no sistema da Microsoft, veríamos um espectro muito maior de organizações impactadas, incluindo empresas menores, e não apenas corporações desse porte”, identificou a equipe da Hudson Rock.
Os analistas da empresa alertaram ainda que o perigo principal dessa exposição está no uso das informações para aplicar golpes direcionados. Ao conhecer o organograma interno, os e-mails e os nomes de diretores ou técnicos de suporte, criminosos conseguem elaborar mensagens falsas com alto poder de convencimento para induzir funcionários a autorizar transferências bancárias ilegais ou a entregar novos códigos de segurança.
Por falar em universo digital, ciberespiões atualizaram vírus para invadir órgãos públicos e driblar defesas do Windows. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
