A China iniciou a produção em massa das máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV) por imersão, essenciais para a fabricação avançada de chips, dando um novo passo rumo à redução da dependência de fornecedores estrangeiros. A novidade foi revelada pelo site The Information na segunda-feira (27).
Conforme a reportagem, as primeiras unidades devem ser entregues ainda em 2026 a empresas como ChangXin Memory Technologies (CXMT), Hua Hong Semiconductor e SMIC, afetadas pelas restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos. Já em 2027, o número de máquinas DUV disponíveis no território chinês pode chegar a 20 unidades.
Estatal lidera a produção
A produção inicial das máquinas de litografia ultravioleta profunda chinesas é liderada pela Shanghai Aishengna Electronic Technology Group, como afirmou uma fonte familiarizada com o assunto à Reuters nesta terça-feira (28). Trata-se de uma estatal até então pouco conhecida, fundada em 2023.
- Não há muitas informações disponíveis sobre a empresa, que não se manifestou a respeito da fabricação dos equipamentos DUV;
- Ela surgiu a partir do apoio de dois acionistas ligados ao governo chinês: Shanghai Electric Holding e uma subsidiária da Shanghai International Trust;
- Segundo a agência de notícias, a estatal cresceu a partir da incorporação de profissionais da startup de litografia Yuliangsheng, que desenvolveu um protótipo da máquina de produção de chips no ano passado;
- A fabricante também contratou especialistas da Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE), afiliada da SiCarrier, por sua vez apoiada pela Huawei.
O equipamento feito por ela utiliza uma camada de água entre a placa de silício e a lente de projeção para a impressão de padrões de circuitos menores que os de mecanismos a seco. É uma alternativa aos sistemas de litografia ultravioleta extrema (EUV) que tiveram o acesso restrito pelas proibições de Washington.
As máquinas DUV de imersão possibilitam produzir uma ampla gama de chips e podem passar por adaptações para gerarem semicondutores mais avançados. Grande parte dos componentes é produzida localmente, mas algumas peças críticas chegam importadas do Japão.
ASML sofre queda nas ações
A notícia de que a China começou a fazer suas próprias máquinas de fabricação de chips avançados teve impacto significativo no mercado. Principal fabricante de equipamentos de litografia de última geração, a holandesa ASML começou a semana registrando queda de 8,5% nas ações.
Outras gigantes do setor, a Besi e a ASM International viram o valor de seus papéis cair cerca de 10% e 7%, respectivamente. As americanas AMD, Lam Research, Applied Materials e KLA também tiveram desempenho semelhante, com recuo em torno de 7%.
Com os avanços na produção de chips, a China planeja tomar uma medida drástica contra as empresas nacionais que não adotarem os semicondutores locais. Confira nesta matéria.

