As maiores empresas chinesas de tecnologia que não utilizarem os chips de IA produzidos no país poderão ser classificadas como “traidoras”. O alerta foi dado por Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro do país, conforme noticiou o The Wall Street Journal na última quinta-feira (23).
O aviso, revelado por fontes familiarizadas com a mensagem, surge em meio à corrida pela liderança em inteligência artificial com os Estados Unidos.
O representante do governo de Pequim lidera os esforços para o desenvolvimento de alternativas nacionais desde que Washington aumentou as restrições contra a China.
Huawei como protagonista
Inspirado nas estratégias utilizadas pela China em décadas passadas, Xuexiang organizou um comitê com os melhores profissionais do país que recebeu a missão de dominar os elementos da cadeia de suprimento de chips. O objetivo é se aproximar da Nvidia no desenvolvimento de semicondutores.
- O trabalho, que tem a liderança da Huawei, estima tornar o país autossuficiente em áreas críticas da IA em até três anos;
- Segundo a reportagem, os esforços já levaram à diminuição da dependência de chips estrangeiros de 90% em 2021 para menos de 60% em 2025;
- Com os avanços recentes, a redução será ainda mais expressiva, chegando perto de 25% nos próximos cinco anos, conforme estimativas do Morgan Stanley;
- Essa abordagem resultou em evoluções de software, principalmente, com as empresas chinesas desenvolvendo modelos com desempenho semelhante a sistemas da Anthropic e da OpenAI, como o Kimi K3 da Moonshot AI.
Avanços em hardware também foram notáveis, porém a China ainda está muito atrás dos EUA neste aspecto, como destaca o jornal. Um dos problemas é a falta de acesso a tecnologias como as máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV), essenciais para a fabricação de chips de IA de última geração.
Sem esses equipamentos, as empresas locais precisam recorrer a processos antigos que não oferecem os mesmos resultados e têm custos maiores. Isso também afeta a capacidade computacional disponível, fazendo alguns laboratórios de IA limitarem o uso de seus sistemas.
Por causa dessas dificuldades, especialistas acreditam que alcançar o nível de tecnologia dos EUA em produção de chips de IA pode demorar até décadas, embora o gigante asiático siga apresentando grandes avanços na área.
A China também quer a presença de mais países no desenvolvimento da IA, evitando restringir o domínio da tecnologia a poucas nações. Confira mais detalhes nesta matéria.

