A gente sabe que a crise de memórias virou um “pesadelo real” quando as empresas que conseguem manter os preços não são mais capazes de fazer isso.
Posso até discordar de mim mesmo, mas esse talvez seja o melhor momento para comprar um iPhone novo. E falo isso em um momento crítico da crise de memórias, já que diversos fabricantes estão aumentando os seus preços para o consumidor.
“A indústria de eletrônicos de consumo enfrenta um desafio sem precedentes. A rápida expansão dos data centers de IA gerou um aumento extraordinário na demanda por memória e armazenamento. Nunca vimos o preço de um componente subir tanto e tão rápido”, afirma a Apple.
A empresa ainda reforça: “chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços de diversos produtos”. Isso basicamente sugere que mais aumentos estão previstos, mas que a empresa parece trabalhar de forma cadenciada para não encarecer todo o catálogo de uma só vez.
Um fato não há como negar: as principais fabricantes de memórias estão cobrando mais caro por produtos de consumo e atendendo mais os data centers e outras empresas de IA. Por um lado, nós ficamos com produtos muito mais caros. Por outro, esses fabricantes ganham muito dinheiro.
O pior está por vir
A gente meio que já sabia. O aumento exponencial nos preços de memórias RAM e SSDs, por exemplo, já vinha afetando e muito o mercado de computadores. As peças individuais sofreram aumentos consecutivos no último semestre, mas um estudo recente da TrendForce afirma que só no primeiro trimestre de 2026 os preços do setor de DRAM subiram 81%.
O cenário que estamos vivendo agora é um tanto entristecedor. Se já está difícil fazer algum upgrade no PC, trocar de notebook ou comprar um celular novo, as estimativas indicam que só lá para 2028 veremos “preços normais” de novo. Comprar um videogame novo, então, é tão complicado quanto. Nintendo e Xbox são ótimos exemplos recentes de aumentos de preços.
iPhone 17 pode sofrer aumentos de preços nos próximos dias. (Foto: Wellington Arruda/TecMundo)
Mas isso é preocupante por um motivo ainda mais específico. Analistas de mercado acreditavam que, ao menos nos smartphones, somente duas empresas conseguiriam “segurar” melhor essa crise e até evitar repassar os custos ao consumidor: Samsung e Apple. A sul-coreana já precisou reajustar os preços e, agora, a norte-americana.
A Apple é muito mais conservadora quando a gente fala de precificação — e acho que todo mundo aqui do Brasil sabe que os produtos deles não são nada baratos. Mas eles não costumam sequer dar descontos em épocas festivas do ano, muito menos possuem aquele histórico de aumentar os preços de produtos depois do lançamento.
Quando a gente olha por esse ângulo, dá para entender melhor que a crise das memórias chegou em um estágio crítico para o consumidor. Não digo isso como uma forma de alarmar ninguém. Os preços já não estão bons, mas as projeções indicam que esse nem deve ser o pior momento para se comprar um eletrônico novo mesmo. Sendo até um pouco mais claro: é melhor comprar agora antes de vermos preços ainda mais absurdos nas lojas.
Se todos esses aumentos são temporários ou não, a gente ainda não sabe. Mas eu não duvido nada de vermos o primeiro iPhone da história que custa mais de R$ 20 mil em breve. E eu nem estou falando do tão aguardado e suposto iPhone dobrável: se o 17 Pro Max de 2 TB que custa hoje R$ 18.499 tiver um aumento de 18% como especulado, seu preço dispara acima dos R$ 21,8 mil.