Review: Reanimal é o que Little Nightmares 3 deveria ter sido

Após cerca de uma década desenvolvendo jogos da franquia Little Nightmares com a Bandai Namco, a Tarsier Studios e a publisher seguiram caminhos diferentes no ano passado. O jogo mais recente da icônica série de terror foi feito pela Supermassive Games, enquanto o estúdio focou seus esforços em Reanimal, que chega em 13 de fevereiro.

Produzido em parceria com a THQ Nordic, o jogo pode até confundir os fãs de longa data. Apesar do nome diferente, Reanimal compartilha mecânicas e atmosfera de gameplay com a franquia da Bandai Namco.

Após testar os dois jogos aqui no Voxel, arrisco dizer até que Reanimal é justamente o que Little Nightmares 3 deveria ter sido. Afinal, o jogo traz tudo que a Tarsier soube fazer de melhor na franquia, só que maior, melhor e mais assustador.

O primeiro ponto positivo está na implementação: o jogador pode aproveitar o game completo jogando sozinho, via multiplayer local em tela dividida ou online, incluindo crossplay. Para quem joga nos consoles, no entanto, é necessário ter assinaturas como Game Pass ou PS Plus para garantir o gameplay online.

O jogo também possui um Passe de Amigo confirmado, permitindo que duas pessoas joguem com apenas uma cópia. No entanto, não conseguimos testar a funcionalidade antes do lançamento.

Além da parte técnica, os elementos cooperativos de Reanimal também são mais elaborados que Little Nightmares 3. Enquanto o jogo da Bandai Namco focava, principalmente, em duas ferramentas carregadas por seus protagonistas, o título da Tarsier traz mais variações de itens, o que garante puzzles mais criativos e variados.

Gameplay calçado na imersão

Na parte do gameplay, se você já jogou algum Little Nightmares, vai se sentir em casa em Reanimal. O jogo adota uma câmera fixa e jogabilidade focada em furtividade e quebra-cabeças envolvendo o ambiente.

Como a Tarsier já possui bastante experiência com a fórmula, tudo é bastante fluído, com a movimentação mais livre e espaços bem trabalhados. O jogo também capricha nos visuais sombrios, bem como na edição de áudio, garantindo imersão visual e sonora.

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A direção de arte de Reanimal mostra o auge do trabalho da Tarsier, com fases trazendo mais profundidade e uma vibe sinistra. O estúdio também ousou mais no gameplay, incluindo até mesmo uma batalha, logo no começo, dentro de um carro, o que deixa tudo mais dinâmico – e extremamente assustador.

Por aqui, eu testei Reanimal no PS5 Pro com uma soundbar da JBL, o que tornou a experiência bem “premium” e assustadora. Sério, mesmo sem apelar tanto para jumpscares, o game traz uma atmosfera extremamente assustadora e que pode te deixar perturbado.

O jogo pode não ser para você

Enquanto a experiência de Reanimal conta com grandes avanços na fórmula da Tarsier, vale ressaltar que alguns errinhos já conhecidos seguem presentes. E mesmo que sejam pontuais, ainda podem afastar jogadores.

A movimentação dos personagens está bem fluída, mas ainda existem pontos a melhores, como a precisão de algumas ações. Além disso, ocasionalmente a câmera pode te deixar meio perdido com seus movimentos fixos – eu, por exemplo, fui parar em alguns buracos por não ver direito para onde estava indo.

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Outro ponto que vale ser mencionado também é, justamente, o terror com crianças, o que pode ser traumático. Eu já tenho certa resistência para jogos de horror mais “básicos” e consegui sobreviver ao gameplay. No entanto, minha esposa, que me ajudou nos testes cooperativos, largou mão do jogo após algumas perseguições bem intensas.

Vale a pena?

Propositalmente ou não, a Tarsier Studios fez em Reanimal tudo o que eu esperava de Little Nightmares 3. O jogo traz mais profundidade no gameplay, belos visuais e uma atmosfera intensa, tudo com gameplay solo ou cooperativo local ou online.

Ainda assim, é válido ressaltar que o game segue exatamente a mesma fórmula da franquia Little Nightmares, servindo praticamente como uma ramificação da série da Bandai Namco. Ou seja, se você não curtiu os títulos anteriores ou achou a experiência perturbadora demais, Reanimal não é pra você. 

Afinal, a Tarsier tirou todos os freios e fez um jogo ainda mais tenebroso que seus projetos anteriores. Para tirar a dúvida sem pagar o preço cheio, a minha dica é conferir a demo grátis, disponível no PC e consoles, que dá uma ideia do gameplay e atmosfera.

Para quem é fã de salvar criancinhas de perigos surreais de forma cooperativa, a experiência vale a pena, evoluindo o que já temos em Little Nightmares. Eu realmente espero que, com esse lançamento, tanto a Tarsier quanto a Supermassive, que assumiu a série original, sigam com uma competição saudável para trazer jogos cada vez melhores para os fãs.

Sem freios, sem concessões e sem medo de incomodar, Reanimal é a prova de que a Tarsier ainda reina quando o assunto é terror infantil perturbador. Resta agora aguardar por mais pesadelos vindos do estúdio. 

Nota do Voxel: 85

Pontos positivos

  • Atmosfera extremamente imersiva e assustadora;
  • Evoluções claras no gameplay cooperativo;
  • Multiplayer local, online com crossplay e Passe de Amigo;
  • Dublagem em português brasileiro.

Pontos negativos

  • Pequenos problemas de precisão na movimentação;
  • Câmera fixa pode atrapalhar em alguns momentos;
  • Segue muito próxima da fórmula de Little Nightmares.

Reanimal chega em 13 de fevereiro no PC, PS5 e Xbox Series S e X, bem como no Nintendo Switch 2. Uma cópia foi cedida pela THQ Nordic para realização da review no PS5 Pro.

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