‘iFood perderá posição de número 1 no Brasil’, diz especialista chinês ao TecMundo

O iFood se transformou quase em um sinônimo da sua própria categoria ao longo dos últimos anos. O serviço no Brasil virou referência em aplicativo de delivery de alimentos, como a Uber é para transporte por aplicativo ou o Airbnb para hospedagem, por exemplo.

Essa liderança foi conquistada por uma série de fatores, desde o marketing massivo até os investimentos em promoções e cobertura de regiões, além da expansão para mais serviços além de comida.

Outro ponto importante é a concorrência: após um início intenso desse mercado em quantidade de competidores, vários deixaram o setor e novos rivais preferiram um certo nicho ou região. Porém, para um analista chinês, essa calmaria está com os dias contados.

Trata-se de Yuanpu Huang, mais conhecido como Yuan, que é pesquisador e fundador da empresa de análise de mercado EqualOcean. O TecMundo entrevistou o especialista na indústria da China e ele avalia (e aposta) que há espaço no delivery nacional para uma troca na liderança.

“Embora o iFood seja líder de mercado, se analisarmos o volume diário de pedidos, o mercado de entrega de delivery no Brasil ainda está longe de estar totalmente desenvolvido. Há uma grande demanda inexplorada”, comenta.

O domínio do iFood vai acabar no Brasil?

Yuan enxerga três grandes motivos que explicariam uma eventual perda da hegemonia do iFood no cenário nacional:

  • O fim da posição de conforto em um mercado que passou anos com pouca concorrência, mas está se alterando;
  • A rivalidade com uma empresa focada principalmente na tecnologia que aprimora o delivery e não só na entrega propriamente dita;
  • O comprometimento já estabelecido pela Meituan, dona da Keeta, para não apenas testar o mercado brasileiro, mas já lutar pelo primeiro lugar.

“O iFood se provou localmente, mas por muitos anos está operando em um ambiente relativamente confortável“, afirma o analista. Segundo a previsão, o aplicativo pode ser obrigado a adotar uma “posição defensiva” ao se deparar com concorrentes de peso e conhecidos pela alta competitividade.

A aposta de Yuan sobre quem vai incomodar o líder de mercado é a Keeta, plataforma chinesa de delivery ainda com pouca disponibilidade no Brasil. Porém, ele acredita que até 2029 isso pode se alterar.

“Mesmo que o iFood consiga manter o volume de pedidos atual estável, a Keeta ainda pode ultrapassá-lo, capturando a maior parte do crescimento incremental“, diz. 

“Minha previsão pessoal é que, nos próximos três anos, o iFood perderá a posição de número um no Brasil”, prevê.

Empresa viu modas e rivais passarem

A empresa brasileira iFood nasceu em 2011 e viu transformações no mercado de pedidos por aplicativo, além do surgimento e da desistência de competidores que transformaram o setor devido a diferentes aspectos.

“Dois fatores explicam muito [o domínio do app]: a escala e o tempo de existência. Um terceiro fator é o fortalecimento de um ecossistema vertical integrado a partir de uma cultura intrínseca de inovação. O iFood deixou de ser apenas um marketplace de pedidos e se posicionou como plataforma de serviços para restaurantes”, analisa Roberto Kanter, professor dos MBAs da FGV em Gestão Comercial e Tecnologia e Inovação e diretor da Canal Vertical, em entrevista ao TecMundo.

A empresa de delivery de comida Glovo

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O analista sugere que o iFood precisa baixar as taxas de comissão e competir em eficiência e qualidade de serviço contra as novas rivais. Mas, apesar de indicar que o fim da hegemonia está próximo, Yuan ainda vê muitos méritos no app nacional.

“No curto prazo, o iFood tem a vantagem de compreender o mercado brasileiro local. Mas, a longo prazo, suas limitações em tecnologia e capacidade de sistema se tornarão um verdadeiro obstáculo“, alerta.

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