Fotos pessoais fora de contexto, imagens manipuladas e até montagens realistas criadas por inteligência artificial se tornaram um problema recorrente na internet. O avanço de ferramentas capazes de gerar imagens a partir de outras imagens facilitou a criação de conteúdos falsos com alto grau de realismo. Afinal, tem como remover imagens falsas da internet?
Esse cenário ampliou de forma significativa os para criar ou modificar imagens e vídeos de forma muito mais sofisticada. A tecnologia consegue replicar rostos, expressões e até movimentos com alto nível de precisão, tornando difícil distinguir o que é real do que é falso.
Como imagens falsas se espalham em redes sociais?
O principal vetor de disseminação são redes sociais, aplicativos de mensagens e fóruns online. Uma única postagem pode ser replicada em diferentes plataformas em poucos minutos, dificultando o controle da origem. Algoritmos de engajamento acabam amplificando conteúdos sensacionalistas, mesmo quando são falsos.

Quais os riscos de aparecer em uma foto falsa?
O uso indevido de imagens pode causar danos sérios à reputação pessoal e profissional. Fotos falsas online associadas a crimes, nudez ou comportamentos inadequados podem gerar consequências emocionais, prejuízos financeiros e impactos diretos na vida social.
Há também riscos à segurança. Casos de deepfakes já foram usados para extorsão, golpes financeiros e perseguição. Além disso, o direito à imagem e à privacidade é violado quando uma foto é usada sem consentimento, especialmente em contextos sensíveis.
Como apagar fotos falsas da internet
Remover fotos da internet exige uma abordagem estruturada. O primeiro passo é identificar onde o conteúdo está hospedado, reunir provas de que a imagem é falsa ou foi usada sem autorização e acionar os canais adequados de denúncia.
Pedindo ajuda à StopNCII.org
Uma das alternativas viáveis é pedir ajuda à StopNCII.org, entidade internacional parte da SWGfL. Ela ajuda a remover fotos da internet criando um hash — uma espécie de identificador único — da foto ou vídeo íntimo e tentando cruzá-lo com hashes dispostos na internet.
Se encontrado um hash idêntico em uma plataforma parceira, o arquivo é removido por violação de política de abuso de imagens íntimas. O serviço realiza varreduras recorrentes após a primeira solicitação, reduzindo as chances de o conteúdo reaparecer.
Empresas parceiras incluem:
- Threads
- X (ex-Twitter)
- Pornhub
- TikTok
- OnlyFans
Você pode criar seu caso no site oficial do StopNCII.org.
Pedindo ajuda à Take It Down
Semelhante ao StopNCII, o Take It Down também atribui um identificador único ao arquivo que deve ser removido, mas é voltado exclusivamente para vítimas menores de idade. O serviço é mantido pelo Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC).
Com esse hash, o sistema busca arquivos idênticos em plataformas parceiras e solicita a remoção automática do conteúdo.
Empresas parceiras incluem:
- Threads
- TikTok
- Pornhub
Para pedir ajuda ao Take It Down, crie o caso preenchendo o formulário no site oficial.
Remover indexação do Google
O Google não remove imagens da internet por conta própria, mas permite solicitar a retirada de conteúdos dos resultados de busca. Para isso, é necessário acessar a Ajuda da Pesquisa do Google e preencher o formulário adequado.

A empresa aceita pedidos de remoção relacionados a:
- Imagens de menores (não explícitas)
- Material de abuso infantil
- Informações pessoais sensíveis e doxxing
- Conteúdo sexual pessoal
- Conteúdo associado a práticas abusivas
Para localizar pontos de distribuição, vale pesquisar o próprio nome no Google e usar a pesquisa reversa de imagens. É importante considerar que esse processo envolve o envio do arquivo para análise por computador.
Solicitar remoção manual e procurar as autoridades
Quando o site não oferece um canal formal de denúncia, o contato direto pode ser uma alternativa. Caso isso não funcione, buscar orientação jurídica é o próximo passo.
Uma forma de obter informações sobre o responsável pelo site é utilizar a ferramenta Whois do NIC.br, que permite identificar dados como titular do domínio e contatos administrativos — informações úteis em processos de denúncia ou ações judiciais.
O recolhimento de informações sobre o site ou serviço que mantém o conteúdo disponível é crucial. Além disso, é importante salvar cópias do material e de quaisquer outras informações relevantes, como o nome do usuário responsável pela publicação, no caso de postagens em redes sociais.
Com tudo isso em mãos, é fundamental procurar uma delegacia especializada em crimes cibernéticos para registrar um Boletim de Ocorrência. Essas informações permitem que as autoridades intimem as plataformas a remover o conteúdo.
Nenhum método é infalível
Qualquer conteúdo publicado na internet pode ser replicado infinitas vezes; por isso, é impossível garantir que ele tenha realmente deixado de existir. Os métodos citados no artigo ajudam a conter a disseminação de fotos e vídeos indesejados, mas não asseguram sua exclusão total.
Nem mesmo as plataformas têm controle absoluto sobre o conteúdo compartilhado por meio delas. Um exemplo são os mensageiros com conversas privadas criptografadas de ponta a ponta, como o WhatsApp.
Ainda assim, solicitar a remoção em buscadores e nos principais serviços pode mitigar problemas potenciais e reduzir o impacto das mídias compartilhadas.
Quer aprender mais sobre privacidade digital, segurança online e como se proteger na internet? Acompanhe o TecMundo nas redes sociais e fique por dentro de guias, análises e explicações sobre tecnologia e direitos digitais.
