O início de agosto foi marcado pelo vídeo “Adultização”, do YouTuber Felca, que expôs conteúdos de exploração sexual com menores e resultou na prisão do influenciador Hytalo Santos. Contudo, as denúncias também revelaram outro problema silencioso: o suposto Algoritmo P e sua contribuição para redes de pedofilia.
Pouco conhecido, mas presente na internet, o algoritmo P é um tipo de falha sistêmica. Com ele, pedófilos e usuários mal-intencionados têm fácil acesso a conteúdos que sexualizam ou mostram crianças inocentes como alvo. Por trás, há uma oculta camada de conteúdos para satisfazer sexualmente os criminosos.
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Na verdade, o que os criminosos fazem é usar esse algoritmo para se conectar com outros pedófilos. Em diversos comentários de vídeos ou imagens de crianças, inúmeros perfis escrevem palavras como “trade”. Do inglês, troca, essa é uma sinalização de que aquele usuário possui conteúdo de pornografia infantil para trocar com outros.

Essas contas podem ter descrições com links na bio, que geralmente levam o usuário a algum canal do Telegram. Lá, são feitas transações ou trocas de conteúdos envolvendo crianças. Para assegurar que aquela pessoal realmente tem esses conteúdos, os criminosos usam a sigla “CP” (Child Porn, ou pornografia infantil, do inglês).
Denúncias contra abuso infantil crescem após vídeo
Em um efeito cascata decorrente das denúncias do vídeo de Felca, a ONG SaferNet observou um aumento de 114% nas denúncias de material explícito envolvendo menores de idade. Mais de 1.600 denúncias únicas foram reportadas pela organização no período entre 6 de agosto e 12 de agosto.
Essas denúncias únicas são enviadas de forma anônima via internet e, depois, encaminhadas ao Ministério Público Federal. Os agentes do órgão realizam uma análise do conteúdo para identificar indícios de crime, e logo depois são abertas investigações para apurar o tema.

“Felca, em seu vídeo, apontou duas questões que a SaferNet vem denunciando sistematicamente desde o ano passado: o uso do Telegram como plataforma para distribuir e vender os vídeos produtos dos abusos e exploração de crianças, e o uso por esses criminosos de acrônimos, siglas e emojis para falar desse tipo de conteúdo sem chamar atenção, tanto ao vender as imagens dos abusos, quanto para aliciar novas vítimas”, explica o presidente da SaferNet, Thiago Tavares.
Plataformas fazem “vista grossa”?
Em 5 de agosto, antes mesmo da publicação do vídeo, a eSafety Commissioner, entidade reguladora independente da Austrália, acusou grandes redes sociais de fazer “vista grossa” para materiais de abuso infantil em suas plataformas.
Um relatório emitido pela comissão aponta que o YouTube e a Apple falharam ao rastrear o número de relatos sobre abuso sexual infantil que aparecem em seus sistemas. A entidade determinou que Apple, Discord, Google, Meta, Microsoft, Skype, Snap e WhatsApp relatem as medidas que tomam para lidar com exploração e abuso infantil no país.
O Google diz não haver espaço para esses conteúdos em suas plataformas e usa uma série de técnicas para identificar e remover esses materiais. A Meta diz que proíbe vídeos gráficos e dessa natureza.
A Austrália ainda acordou um pacote e o YouTube será a primeira rede social banida para menores de 16 anos no país. Os jovens ainda poderão assistir vídeos, mas não terão permissão legal para criar contas na rede social.
Para saber mais informações sobre o tema de adultização e a importância da privacidade na internet, acompanhe o TecMundo.